Paredes maciças - Téchne

20 de julho de 2013



Tecnologia

Paredes maciças

Fôrmas metálicas convencionais, painéis em alumínio e em aço são opções oferecidas para execução de paredes de concreto. Para cada empreendimento, utilização exige estudo detalhado

Por Renato Faria
Divulgação: Metro Form
As paredes de concreto vêm aparecendo com força nos canteiros de obras. Com projetos padronizados, alto grau de repetitividade, execução simultânea de estrutura e vedação, os construtores obtêm alta produtividade, produção em larga escala, redução de custos com mão-de-obra e minimização dos erros de execução.
Não há como executar o sistema construtivo sem um bom jogo de fôrmas. E existem vários tipos deles no mercado - além dos sistemas tradicionais ofertados pelos fabricantes estabelecidos no Brasil, novos equipamentos desembarcaram por aqui, caso dos painéis manoportáveis de alumínio. Outros já existiam no mercado e ganharam novo fôlego, como as fôrmas de plástico.
Há cerca de três anos, o volume de lançamentos das construtoras seguia um ritmo cadenciado, acompanhando a demanda por imóveis, principalmente de médio e alto padrão. O sistema de construção convencional - estrutura de concreto moldada "in loco", alvenaria de blocos, instalações elétricas e hidráulicas montadas no local - era o que melhor equalizava as exigências quanto a prazo, orçamento e qualidade do empreendimento.
Então vieram as aberturas de capital das principais construtoras do País, a injeção de crédito imobiliário no mercado, o aquecimento da economia. E, claro, as consequências: crescimento da demanda por imóveis econômicos, escassez de equipamentos, materiais e mão-de-obra, necessidade de apresentar, e rápido, resultados aos acionistas. A construção convencional não se mostrou uma solução economicamente viável para esse novo mercado, e as empresas começaram a estudar alternativas tecnológicas para buscar o equilíbrio da tríade custo, cronograma e qualidade no segmento popular.
Fotos: Marcelo Scandaroli
Fôrmas de alumínio garantem qualidade da parede. O sistema não fecha sem os painéis alinhados e aprumados
Molde certo
Os empreendimentos econômicos típicos estão geralmente espalhados pelo interior do País, seus terrenos ocupam grandes áreas e as construções - casas ou edifícios de até quatro pavimentos, sem elevador - são executadas às centenas, lado a lado. Se, nas construções verticais, as gruas facilitam o transporte de materiais e equipamentos pesados de um pavimento ao outro, nesses amplos condomínios horizontais sua utilidade é reduzida. Portanto, os jogos de fôrmas precisam ser manoportáveis, ou seja, leves o suficiente para serem transportados manualmente pelo operário. "O ideal é que cada painel pese até 60 kg, um pouco mais pesado que um saco de cimento", afirma Ary Fonseca Júnior, responsável pela área de Desenvolvimento de Mercado da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland).
Depois de viajarem pelas Américas em busca de novas tecnologias, alguns construtores optaram pelo uso, num primeiro momento, das fôrmas de plástico e de alumínio. Cada uma delas possui características particulares. As primeiras têm a vantagem de serem mais baratas e mais fáceis de encontrar no mercado nacional. Há, ainda, o apelo ecológico divulgado pelos fabricantes, que alegam que o equipamento de plástico, ao final de sua vida de operação, pode ser reciclado. No entanto, construtores se queixam da menor produtividade do sistema, comparado às fôrmas de alumínio, já que demandam uma etapa adicional de travamento das fôrmas para reforçá-la contra a pressão lateral do concreto.
Quanto à qualidade do acabamento da parede, as fôrmas de alumínio são mais vantajosas, segundo os profissionais ouvidos pela Téchne. Sua estrutura também é mais rígida e os painéis, mais duráveis. Porém, perdem pontos quando o assunto é custo - além de ser mais caro do que o plástico, o alumínio é uma commodity, e seus preços variam de acordo com a demanda mundial pelo produto e outros fatores conjunturais. Além disso, ao contrário dos equipamentos de plástico, não são encontradas para locação no mercado. Quando importadas, ainda é necessário arcar com os custos adicionais de frete e impostos aduaneiros.
As fôrmas tradicionais - com estrutura metálica e chapas de contato com concreto substituíveis - também têm espaço no mercado. Têm contra si as desvantagens de serem mais pesadas e, em alguns casos, exigirem a troca frequente das chapas compensadas. No entanto, o sistema é viável sobretudo em construções verticais altas que contam com grua para o transporte dos conjuntos. Além disso, têm fornecimento abundante nas várias  regiões do País e podem ser alugadas. Ainda assim, um fornecedor consultado pela Téchne informa que está pesquisando materiais para desenvolver um painel mais leve e durável - características das fôrmas de alumínio e de plástico.
Marcelo Scandaroli
Utilização de um bom desmoldante é importante para preservar a durabilidade do painel
Do popular ao alto padrão
A Rodobens Negócios Imobiliários foi a primeira a adotar o novo sistema construtivo para a execução de seus empreendimentos Terra Nova. No final de 2006, a empresa recebia os primeiros jogos de fôrmas de plástico para a execução das casas de um condomínio localizado em São José do Rio Preto (SP). De acordo com o diretor técnico da Rodobens, Geraldo Cêsta, o contrato de locação das fôrmas plásticas ocorreu ao mesmo tempo que o processo de compra, nos Estados Unidos, do sistema de alumínio. "Devido aos trâmites burocráticos, frete, entre outros, os painéis importados demoraram alguns meses mais para desembarcar aqui", explica Cêsta.
De acordo com o engenheiro, o equipamento de plástico já estava disponível no mercado nacional, mas sua utilização era muito restrita. "E a qualidade era inferior ao que temos hoje", afirma. Os aspectos mais importantes que foram aprimorados, destaca o engenheiro, foram a qualidade da matéria-prima empregada na fabricação dos painéis e a durabilidade das fôrmas.
Atualmente, a empresa trabalha com 52 conjuntos de fôrmas de alumínio. Desses, 45 foram adquiridos de fornecedores nacionais, por meio de leasing, e sete importados. Quinze jogos de fôrmas de plástico são alugados.
Marcelo Scandaroli
Para evitar o deslocamento durante a concretagem, elementos incorporados à parede, como conduítes e caixas de interruptores, devem ser amarrados à armadura antes do fechamento das fôrmas
A Gafisa criou um departamento específico para pesquisar tecnologias que reduzissem o ciclo de execução de seus empreendimentos. Foram dez meses estudando alternativas, visitando obras no Chile, na Colômbia, nos Estados Unidos, pesando prós e contras de diversos sistemas construtivos - pré-moldados de concreto, estrutura metálica convencional com lajes pré-moldadas, steel deck, fachada pré-moldada etc. A matriz de decisão considerou fatores como flexibilidade e customização de layout, possibilidade de implantar em diversas regiões do País, custo, velocidade de construção, equipamentos necessários para o transporte. No final, foram as paredes de concreto, produzidas com fôrmas de alumínio manoportáveis, que melhor se adaptaram às necessidades da construtora para reduzir o tempo de execução de suas obras.
O primeiro empreendimento da construtora a empregar o sistema será o Brink, condomínio clube localizado na zona Sul da cidade de São Paulo. De acordo com Luís Bueno, diretor de operações responsável pelas construções rápidas da Gafisa, será possível iniciar a obra em junho de 2009 e entregá-la em apenas 15 meses. Serão 311 unidades distribuídas em três torres de 17 andares cada e apartamentos-tipo de 69 m² a 96 m² de área. O ciclo de concretagem estimado é de uma laje a cada dois dias. Luís Bueno diz que ainda está em fase de estudos o dimensionamento do escoramento e da estrutura durante a execução. Ainda no caso do Brink, o canteiro contará com uma grua para auxiliar as operações logísticas no canteiro, mas ela não será fundamental para o transporte dos jogos de fôrmas leves de alumínio.
Apesar da maior penetração do sistema construtivo na construção de habitações do segmento econômico, Bueno faz questão de desfazer qualquer tipo de associação entre os dois conceitos. "A intenção da Gafisa é empregar as paredes de concreto em edifícios de médio e alto padrão", explica o diretor. Nesses empreendimentos, nem todas as paredes serão de concreto. Segundo Bueno, as paredes internas serão em drywall para possibilitar a personalização dos ambientes pelos novos proprietários.
Paredes pré-moldadas
Fotos: Marcelo Scandaroli
Detalhe da face externa da fôrma
Há pouco mais de um ano, a InPar começou a adquirir baterias de fôrmas para produção no canteiro de paredes pré-moldadas para os edifícios dos empreendimentos Viver - seu produto para o segmento econômico. Segundo o diretor de projetos da construtora, Waltermino Júnior, uma bateria é capaz de produzir, de uma só vez, as 12 paredes necessárias para montar um apartamento de dois dormitórios (42 m² de área privativa). O valor de cada bateria gira em torno de R$ 250 mil, segundo o diretor da InPar.
Fotos: Marcelo Scandaroli
Bateria com 13 painéis permite produzir 12 paredes - um apartamento completo de dois dormitórios - de uma só vez
Ela é composta por 13 fôrmas de 4 m x  5 m, dispostas lado a lado, e com roldanas, que lhes permitem deslizar sobre dois trilhos. O peso do conjunto todo é de aproximadamente 6 t. Para produzir as paredes, armadores e instaladores primeiro posicionam, nas fôrmas, as telas soldadas, os moldes dos caixilhos e os conduítes (instalações hidráulicas passam por shafts). Em seguida, os painéis são travados e os espaços intermediários, concretados. São 7 m³ de concreto por vez, despejados em 53 minutos. A desenforma ocorre depois de 20 horas. As peças prontas são colocadas no caminhão-guindaste já na posição vertical para facilitar o transporte até o posicionamento final, na estrutura.
Segundo Waltermino Júnior, a produção das peças demanda uma equipe enxuta - apenas cinco pessoas - e respeita procedimentos simples. O treinamento  de um novo funcionário, afirma, pode ser feito em apenas uma semana. Um edifício do tipo pode ser entregue em três  meses - 15 dias para a montagem da vedação/estrutura (painéis autoportantes) e mais dois meses para o acabamento.
Matriz de decisão
A tabela na página do lado é uma ferramenta que pode ajudá-lo a optar pelo sistema de fôrmas mais adequado às necessidades de sua obra. Confira a seguir os comentários sobre os aspectos mais importantes a considerar na decisão. Utilize a tabela para atribuir os pontos para cada sistema.

Análise técnica
Produtividade média informada (hh/m²): Esse número deve ser analisado com cuidado. Geralmente o fornecedor informa apenas a produtividade na montagem dos painéis, excluindo itens como execução de instalações elétricas e hidráulicas, de armaduras, transporte das peças até o local da montagem etc. Além da montagem, é importante considerar também a facilidade de desenforma.

Peso/m²: Para ser manoportável, o peso máximo dos maiores painéis não deve ultrapassar 30 kg/m² ou cerca de 60 kg para um painel de 70 cm x 270 cm.  A existência de alças nos painéis facilita  a movimentação.
Número de peças soltas: Quanto menor a quantidade, melhor, pois há diminuição das etapas de montagem e minimização do risco de perdas de peças. O ideal é um painel com todos os travamentos fixados e baixo peso.
Durabilidade da chapa (número de reutilizações): Chapas de madeira compensada plastificada, fixadas em uma estrutura metálica, possibilitam uma superfície de parede mais plana. Entretanto, precisam ser trocadas regularmente. Sistemas em alumínio unem a durabilidade com a leveza, porém é importante analisar a resistência da chapa que fica em contato com o concreto. Se ela amassar com facilidade, comprometerá a planeza das paredes.
Durabilidade da estrutura: Geralmente a estrutura dos painéis é metálica (aço ou alumínio), garantindo uma alta durabilidade. Porém é importante analisar sua rigidez e resistência a quedas e impactos, que podem provocar seu empenamento, comprometendo o alinhamento das paredes.
Modulação: A modulação mínima do sistema permite evitar peças complementares de madeira. Por exemplo, o desempenho do sistema será otimizado se sua modulação for de 10 cm e a casa for projetada em múltiplos dessa dimensão. Considerar a modulação vertical e sua adaptabilidade a diversas alturas de paredes.
Solução para oitões: A solução mais comum é utilizar painéis complementares em fôrma de escada, mas essa montagem dificulta o posicionamento da fôrma inclinada de fechamento. A solução ideal é que a fôrma seja executada já com a inclinação necessária. Seu custo só se viabiliza, no entanto, em empreendimentos com um número considerável de casas.
Embutidos: Como é a fixação de portas, janelas, caixas de elétrica, quadro de distribuição, instalações hidráulicas etc. Em caso de locação, será cobrada indenização caso a fôrma seja furada para essa fixação?

Peso (1 a 3): importância de determinada característica para o processo construtivo, sendo 3 = muito importante; 2 = importância média; 1 = pouco importante
Nota (1 a 5): pontuação do item para o empreendimento analisado. Essa pontuação deve levar em conta as especificidades de cada empreendimento. Exemplo: o item Peso/m2 dos painéis é menos relevante em uma obra que disponha de equipamentos de movimentação do que em outra onde os painéis serão transportados manualmente.
Pontos (1 a 15): resultado da multiplicação da nota pelo peso de cada item.
 Análise econômica
Atendimento: Capacidade instalada, abrangência nacional, velocidade de atendimento (prazo de entrega dos materiais a partir do pedido), oferta de treinamento e assistência técnica.
Comercialização: Modelos de fornecimento disponíveis: locação, venda, leasing etc. Na locação, por exemplo, a grande maioria dos contratos prevê um aluguel mensal por metro quadrado de fôrma. Existem casos, porém, em que a empresa fornecedora assume e compartilha o cronograma da obra, cobrando por unidade concretada.
Custo: No caso de locação, avaliar o número de usos mensais por jogo de fôrmas, frete, custo de manutenção, entre outros. No caso de compras, verificar a relação entre durabilidade total das fôrmas e a amortização do investimento, quantidade necessária a ser adquirida, necessidade de área para estocagem e manutenção das fôrmas, garantia de fornecimento posterior de peças adicionais ou de reposição, custo de manutenção, entre outros.
Peso (1 a 3): importância de determinada característica para o processo construtivo, sendo 3 = muito importante; 2 = importância média; 1 = pouco importante
Nota (1 a 5): pontuação do item para o empreendimento analisado. Essa pontuação deve levar em conta as especificidades de cada empreendimento. Exemplo: o item Peso/m2 dos painéis é menos relevante em uma obra que disponha de equipamentos de movimentação do que em outra onde os painéis serão transportados manualmente.
Pontos (1 a 15): resultado da multiplicação da nota pelo peso de cada item.
Ficha técnica
Divulgação: Forsa
Fôrma de Alumínio Forsa
Tipo de fôrma: alumínio
Peso do painel: 20 kg/m²
Equipamento para transporte: nenhum (manoportável)
Reutilizações: tempo indeterminado, se respeitadas as condições de uso e manuseio
Peças soltas: passadores, cunhas e amarradores
Resistência à pressão: 47 kN/m²
Altura do painel: 2,10 m
Divulgação: Metro Form
Sistema Modular Metro Form
Tipo de fôrma: plástico de engenharia
Peso do painel: 9,0 kg/m²
Equipamento para transporte:   nenhum (manoportável)
Reutilizações: mais de 100 vezes
Peças soltas: travas de união dos painéis
Resistência à pressão: de acordo com dimensionamento do travamento metálico
Altura do painel: qualquer altura múltipla de 0,50 cm
Divulgação: Rohr
Fôrma HF Rohr
Tipo de fôrma: estrutura metálica e chapa de contato em aço
Peso do painel: 32 kg/m²
Equipamento para transporte: sistema manual, podendo compor quadros que necessitam de equipamentos como grua ou guindaste
Reutilizações: 100 vezes
Peças soltas: grapa, alinhadores, mordaça, escoras de prumo, tensor, console e montante (plataforma de trabalho) e passador 
Resistência à pressão: 60 kN/m²
Altura do painel: 0,3 m a 2,4 m
Divulgação: SH
Concreform - Morar SH
Tipo de fôrma: estrutura de aço galvanizado e chapa de compensado plastificado
Peso do painel: 35 kg/m²
Equipamento para transporte:  manoportável ou em conjuntos montados, por meio de grua
Reutilizações: cerca de 50 reutilizações (chapa de compensado); a durabilidade da estrutura gira em torno de dez a 15 anos
Peças soltas: barras de ancoragem e porcas, grampos de alinhamento 
Resistência à pressão: 60  kN/m²
Altura do painel: 2,70 m
Divulgação: Pashal
Fôrma Leve Pashal
Tipo de fôrma: estrutura metálica e revestida com chapa de laminado fenólico de alta pressão
Peso do painel: 40 kg/m²
Equipamento para transporte:   nenhum (manoportável)
Reutilizações: até 120 vezes, dependendo do manuseio
Peças soltas: parafusos (barra de ancoragem, porcas com flange, chaves de engate rápido e travas), perfis e suportes para alinhamento.
Resistência à pressão: 50 kN/m²
Altura do painel: 1,25 m
Divulgação: Doka
Frami 270 Doka
Tipo de fôrma: estrutura metálica 
e chapa compensada 
Peso do painel: 30,8 kg/m² 
Equipamento para transporte: manoportável. Com grua ou guincho, pode ser transportado em conjuntos montados de painéis.
Reutilizações: estrutura metálica - número indeterminado / chapa compensada - aproximadamente 
60 vezes, dependendo do manuseio
Peças soltas: grampos de união, ancoragens, consoles de trabalho e escoras de prumo 
Resistência à pressão: 40 kN/m² 
Altura do painel: 2,70 m
Divulgação: Ulma
Sistema Comain Ulma
Tipo de fôrma: estrutura metálica e chapa de compensado 12 mm 
Peso do painel: 35 kg/m²
Equipamento para transporte: manoportável. É possível o içamento de conjuntos de painéis com grua ou guindaste.
Reutilizações: entre 50 e 80 vezes, por chapa de compensado
Peças soltas: chavetas de união para os painéis e alinhadores horizontais e verticais.
Resistência à pressão: 40 kN/m²
Altura do painel: 120 cm e 150 cm

>>> Veja dois arquivos em formato Excell de matrizes de escolha para sistemas de fôrma de paredes monolíticas de concreto:

 
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