Solução de concreto bombeado

15 de junho de 2017

Melhores equipamentos e possibilidade de alterar suas propriedades levam o concreto agora cada vez mais alto. Conheça alguns equipamentos e técnicas de bombeamento

Luciana Tamaki
Divulgação: Hochtief
Na distribuição do concreto também pode-se contar com equipamentos que aumentem a produtividade. Outra vantagem é que o equipamento não desloca a armação
Concreto mais fluido
O concreto para bombeamento deve ter slump maior, ser mais fluido, para evitar a formação de grumos na tubulação e na mangueira. "Se o slump normal é de 6 + ou - 2, o bombeado já é de 8", explica Haddad. E isso vale até certa altura, pois, quanto mais alto, mais fluido deve ser o concreto, e assim o slump sobe para 12 ou 14.

Não só o slump como a brita muda. "Quando bombeia até o sétimo pavimento, é usado um tipo de pedra e um slump. A partir de determinada altura, vai mudando até chegar no pedrisco, senão a bomba não consegue lançar", explica Glaico Araújo, diretor de operações em São Paulo da Gafisa.
Para aumentar a fluidez do concreto, pode-se usar aditivos ou aumentar o teor de parte. "Muitos aditivos", diz Araújo, "fazem com que haja essa plasticidade sem ter que aumentar água, mantendo também o consumo de cimento." De qualquer forma, o diretor de operações explica que essa adição "acaba forçando uma resistência maior do concreto, mas dá uma retração maior, mais fissuração. Quanto menor o agregado, maior a retração também".
Esta situação que acontece conforme cresce a altura é inevitável, mas é controlável. "Chega-se ao ponto de termos que lançar um material com retração extremamente grande. O problema vai ser potencializado, mas não tem outra solução. Para evitar as retrações, é preciso cuidar melhor da cura do concreto", acrescenta Araújo.
A definição do traço do concreto depende, além desta relação entre slump e altura de lançamento, da bomba que está sendo utilizada. "Há bombas que conseguem passar com slump 10 para 20 andares; outras não passam. Depende muito da concreteira", afirma Haddad.
Isso tudo influencia no custo, pois o concreto mais fluido custa um pouco mais caro, já que além da água aumenta-se também o cimento. Segundo Haddad, "a cada dois que se aumenta no slump, acresce-se 5% ou 6% o preço do concreto".
Como a diferença de preço está ligada à diferença do slump que, por sua vez, está ligado à altura, então a conta pode ficar complicada, ainda mais pensando que, dependendo da bomba disponível, será preciso um slump maior em um momento mais ou menos precoce da obra. Todos esses fatores devem ser ponderados na compra do concreto.
O diretor técnico da Kallas sugere um acerto por preço médio: "Reúno o vendedor com sua equipe técnica, e vemos o slump necessário para os andares", conta Haddad. "Eu acerto um preço médio, ou por andar, ou até certo andar um preço, porque assim já engloba esse slump e não preciso me preocupar com, por exemplo, precisar de um slump 10, mas no contrato só ter o 8."
Planejamento do canteiro
Muito antes da execução do bombeamento, é necessário planejamento do canteiro: onde a bomba vai estacionar, onde o caminhão vai se posicionar, e também onde ficarão os caminhões que estiverem aguardando. O caminhão seguinte para o bombeamento já pode tirar o slump, por exemplo, e isso precisa ser previsto.

Quando a obra é pequena, não há muitas possibilidades. Porém, não se pode esquecer da solicitação de permissão para o estacionamento da betoneira na rua, quando for necessário. Ou então programar as concretagens - e checar esses horários - considerando as restrições de circulação locais. Essas providências evitam multas e atrasos em qualquer obra.
Nas obras grandes, além desses cuidados formais, também pode ser necessário um trabalho de logística para viabilizar os caminhões dentro do canteiro. Há obras com até três pontos de concretagem simultânea, por exemplo. Deve-se planejar onde será a entrada e saída da obra e determinar onde ficará a bomba e o caminhão. Certos locais devem ser reforçados para receber as betoneiras.
A bomba de lança tem a obrigatoriedade de ficar próxima ao local de concretagem. Já a estacionária não tem esta necessidade, porém, deve ficar perto do local para se usar menos tubulação e fazer menos trajetória horizontal. "Para aquele slump, há um caminhamento de tubulação. Se é gasto muito na horizontal, será necessário o slump modificado antes", resume Haddad.
Mesmo feito o planejamento, é normal que muitas coisas sejam decididas em obra. "Pode ser que o planejamento precise de um 'plano B', porque em algum lugar o estacionamento não é possível, ou vê-se que em outro é mais fácil. Normalmente, o engenheiro de obra, o mestre e o fiscal da concreteira chegam a um consenso de onde é o melhor local. Eles conseguem chegar a um bom termo nisso", afirma Haddad.
Cuidados no momento da execução
Quando a bomba chega, faz-se um teste para verificar o funcionamento da máquina. E, antes de se iniciar a concretagem de fato, é preciso lançar água e um saco de cimento para lubrificar a tubulação. "O primeiro terço do concreto é mais duro, e a bomba travaria com ele. É preciso jogar um saco de cimento para misturar no cocho do primeiro caminhão", explica Haddad.

Glaico Araújo lembra que "essa lubrificação não pode ser aproveitada, então lá em cima deve ter um tambor para receber esse material, e também deve ser feita destinação para este material".
Araújo também aponta a dificuldade com aferição de volumes. "Quem faz concreto bombeado perde um pouco esse controle. Mesmo bombeando a gente faz o transporte do caminhão para a caçamba da bomba em 'caçambinhas' para fazer a pesagem de carga por carga, para somar e saber se o volume do concreto bate com a nota."
Há os cuidados de praxe como em qualquer lançamento de concreto, como checar as fôrmas e escoramento. No caso do bombeamento de concreto, é mais importante ainda que a fôrma esteja corretamente colocada: "O concreto vem mais fluido e faz pressão muito grande na fôrma. Seu escoramento tem que estar checado, o aço posicionado corretamente etc.", explica Glogowsky, da Hochtief.
Após o início do bombeamento, o ideal é que seja o mais contínuo possível, sem intervalos. Não pode haver concreto parado na tubulação pois, se ele ficar muito tempo, endurece. Este endurecimento pode ser evitado fazendo- se a limpeza da tubulação, mas aí perde-se de 0,5 m³ a 1 m³ de concreto por intervalo, então o melhor é ter essa perda somente no primeiro caminhão e, para isso, planejar os horários de recebimento do material.
No momento da concretagem, é de praxe que um funcionário de cima do edifício, no local a receber o concreto, tenha uma comunicação constante com o operário da bomba, que fala sobre a fluidez do concreto e avisa quando se deve parar - sempre com o mínimo de um minuto de antecedência, pois a bomba não corta o fornecimento imediatamente.
Quando acaba a concretagem, no caso de bomba estacionária, a tubulação fica cheia de concreto, e deve ser limpa. Os maiores cuidados com o equipamento da bomba são pós-concretagem. Para a limpeza, conta Glaico Araújo, "é colocado um tipo de bola na ponta da bomba, que puxa a bola e vai limpando a tubulação, jogando o concreto para baixo".
Desta forma, há uma quantidade de concreto que volta da tubulação, que pode ser aproveitada: "Dependendo da altura, voltam 2 m³, 3 m³, e esse concreto que volta também tem que ter destinação, talvez para um contrapiso. Deve haver planejamento, às vezes se deixa trechos para fazer concretagem com essa sobra, ou se concretam vergas, peças pré-moldadas pequenas", observa Araújo.
Mesmo com todos os cuidados possíveis, podem surgir problemas inevitáveis, como a bomba quebrar ou entupir. "Se a bomba entupiu porque o concreto não bateu direito em alguma curva, até se descobrir tem que parar o bombeamento, porque o concreto força mas não sobe, e às vezes pode chegar a arrebentar a tubulação", alerta Haddad.
Nesses momentos, a experiência é essencial para a resolução dos problemas. André Glogowsky conta que, em uma concretagem, a usina quebrou faltando 5% para o final, às 23h00 de um sábado. "É preciso entender como o bloco trabalha, quais os esforços; é preciso entender a engenharia para saber como interromper essa concretagem, como posicionar os vergalhões, como fazer a interligação e como tomar providências para o restante", adverte.

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