Pontes Rolantes - Medidas

12 de agosto de 2018

ESPAÇOS DISPONÍVEIS

Muito se fala sobre o espaço disponível para a montagem de uma ponte rolante em um galpão. O fabricante de pontes deve interagir com o cliente, com a empresa de engenharia e com a construtora para garantir os espaços.
É mais comum do que se imagina, que erros sejam cometidos nas informações, e mesmo galpões novos tenham problemas para receber a ponte rolante comprada, gerando transtornos, retrabalhos, e com isto, prejuízos.

APLICAÇÃO DO USUÁRIO DA PONTE

Uma discussão que se faz importante, e muitas vezes esquecido pelos usuários, é a aplicação para a qual a ponte rolante será adquirida.
Nada como um croqui, mesmo que seja feito de forma manual, para um estudo das alturas necessárias para a operação, incluindo quaisquer dispositivos ou acessórios. Quando um cliente diz que o item a ser içado tem altura própria de 3 metros, por exemplo, e que este item deve ser içado para ser colocado dentro de uma máquina, através de uma abertura lateral que está a 1,5 metros do piso, sabemos que precisaremos pelo menos de 4,5 metros. No entanto, cabe uma análise: como são os pontos de pega na peça? Há acessórios para auxiliar o içamento? Cintas? Eletroímãs? Barras de carga? Estes item terão suas demandas por altura, e estas devem ser estudadas para estarem contempladas na altura útil de gancho da ponte rolante.
Observe na imagem abaixo, que conhecer as medidas envolvidas na aplicação pode salvar um projeto de investimento de seu cliente.
alturas_aplicacao

APROVAÇÃO DE DESENHOS

Imaginem se o galpão acima fosse construído para 5,0 metros de atura útil – haveria retrabalhos a serem feitos após verificar-se que não há altura útil suficiente para a aplicação. Por motivos como este, dentre outros, é muito importante que se entenda a necessidade dos desenhos para aprovação contemplando estas informações.
Faz-se necessário que estudos, croquis e desenhos sejam apresentados e aprovados, necessariamente antes do início do processo da construção da ponte e do galpão, atentando sempre que um mesmo caminho de rolamento poderá ter pontes rolantes de diferentes capacidades e dimensões. Assim, o tema dessas dimensões deve abordar sempre as dimensões mais críticas de uma ou mais pontes, análise das cargas por roda e distância entre as rodas e entre as pontes, para dimensionamento das vigas de rolamento e trilhos.

AS MEDIDAS IMPORTANTES A SEREM OBSERVADAS

  • VÃO E AFASTAMENTOS LATERAIS

O VÃO é a distância entre centros dos trilhos, indicada em verde na imagem abaixo. Atentar que muitas empresas de construção tratam a palavra VÃO como sendo a distância entre centros das colunas do galpão, indicada em amarelona figura abaixo. Aí está um importante ponto de conflito.
vao
Sobre os afastamentos laterais: Apesar de o vão da ponte ser conhecido, uma ponte com 12m de vão, por exemplo, certamente terá em torno de 12,4 m de comprimento total. Isto ocorre porque o vão da ponte é uma medida no centro do trilho. A roda da ponte apoia no trilho inteiro, e esta, por sua vez, é montada em uma cabeceira.
Portanto, o comprimento total da ponte não é apenas o vão dela, mas sim, maior. O posicionamento do caminho de rolamento da ponte deve ser tal que permita a passagem da ponte rolante inteira, e portanto, os afastamentos laterais são de crucial importância. Conforme pode ser visto na imagem abaixo, normalmente esta medida é tirada entre o centro do trilho, e a face de uma das colunas. As chamamos de “A”, e “B”.

afastamentos-laterais
Praticamente todos os fabricantes de pontes vão informar a distância mínima além da linha de centro dos trilhos que seu equipamento precisa para poder ser montado e utilizado tranquilamente. Para adquirir pontes novas para caminhos de rolamento existentes, esta medida deve ser informada ao fabricante da ponte rolante.

  • DISTÂNCIA TRILHO-TETO

O estudo adequado da aplicação e da distância trilho-teto com foco em aproveitamento do espaço disponível, ou, melhor performance em espaço limitado é fundamental para a entrega do melhor equipamento. Chamamos a distância TRILHO-TETO, ou, TRILHO-1º. OBSTÁCULO, como sendo a distância da superfície do trilho até o primeiro obstáculo que impede a passagem da ponte. Indica, portanto, o espaço onde a ponte pode correr livremente, sem que haja colisões com qualquer item existente, tais como treliças, luminárias, calhas, tubulações diversas, etc.
alturas_aplicacao2
Observem abaixo que a(s) viga(s) da ponte podem ser montadas de várias formas na cabeceira, visando atender diferentes distâncias trilho-teto.
conexoes_vigas
Veja abaixo como a montagem das diferentes conexões com a cabeceira podem favorecer o espaçamento em um mesmo galpão. Se a ponte fosse dupla viga, não seria possível montar a talha acima da viga na imagem mais à esquerda – já na imagem mais à direita, há espaço para talhas acima das vigas.
conexoes_vigas2
A combinação de diversos fatores pode fazer com que, independente da conexão mostrada acima, a(s) talha(s) de dupla viga não possa(m) ser montada(s) acima das vigas da ponte, devido a falta de espaço físico.
Para casos assim, onde o cliente não podia arcar com as perdas de altura útil com o uso de uma talha de 16t monoviga, a STAHL inovou com uma solução para um de seus clientes, que pode ser verificada no artigo que criamos sobre o tema.
INOVAÇÃO CONSTRUTIVA DA STAHL
Uma ponte dupla viga, em que dois carros de 8t dupla viga correm em trilhos montados acima da aba interior inferior das vigas. Observem que para usar carros padrão, a Stahl deslocou as vigas mais para fora das cabeceiras. Também, certamente houve retrabalhos referentes às distâncias laterais dos carros, para que possam correr tranquilamente dentro do espaço disponível.
double-girder-trolley-positioning-2-stahl
stahl2

Por outro lado, quando o problema é na direção oposta, ou seja, o trilho está muito distante do teto, mas ainda assim, o usuário pretende usar a altura teto-piso em sua totalidade, poderá haver uma solução mais fácil: um pórtico rolante com pernas “curtas”, ou seja, altura suficiente apenas para aproximar a talha do teto, melhorando assim, altura útil de gancho.
miniportico
  • DISTÂNCIA TRILHO-PISO

Esta informação é a que posiciona a altura da ponte rolante no projeto. Observe que até o momento, estávamos falando da altura disponível para a ponte, e a altura própria da ponte rolante.
Para sabermos sabermos a quantidade de elemento de içamento que o equipamento terá (cabo de aço, ou mesmo corrente), e podermos definir corretamente a altura útil de gancho, precisamos saber a altura trilho-piso, e também, em caso de ser diferente, a altura de operação, ou seja, onde o operador fica no desenho em questão.
Normalmente medida na superfície do trilho, como mostra a figura abaixo:
altura-trilho-piso
Os fabricantes de talhas usam seus padrões pré-definidos para a altura útil de gancho, por exemplo, 6,0 m de altura útil, 9,0 m de altura útil, 12,0 m, e assim por diante. Se a necessidade do cliente for de 7,5 m, por exemplo, o fabricante poderá fornecer a ponte com a talha para 9,0 m. Haverá ajustes eletrônicos em campo para evitar o conhecido cabo-frouxo.
  • DISTÂNCIA PISO-TETO

Seria a soma das duas anteriores. Interessante ser levantada quando as demais inexistem, ou, existem mas não são conhecidas. Poderá ser usada como referência em etapas de cotação, mas não nas etapas de fabricação.
Também através de um croqui, mesmo que manual, o fabricante da ponte rolante poderá começar a desenhar seu entendimento do que será fornecido. Afinal, há galpões com os mais diversos tipos de fechamentos de teto.
  • PERDAS LATERAIS DE ALCANCE DO GANCHO = VÃO ÚTIL EM TERMOS DE GANCHO

É preciso atentar que o vão da ponte rolante (entre centros de trilhos) não representa o efetivo alcance do gancho em um galpão. Devido a diversas formas construtivas dos galpões, e das pontes, embora pareça óbvio, criamos uma imagem para deixar claro que o alcance do gancho é inferior ao vão nominal da ponte.
Se seu projeto tiver como definição a necessidade de alcance do gancho, digamos, em 20m, as demais medidas serão consequência desta, e será importante enfatizar isto junto ao seu fornecedor de pontes.
perdas-laterais
Onde:
  • A e B são as distâncias laterais da ponte
  • C e D são as perdas laterais geradas pelo dimensional próprio da talha
Se o vão útil de gancho necessário for de 20m, temos:
  • Vão útil: 20m
  • Vão da ponte: 20m + C + D
  • Entre faces de colunas: 20m + A + B + C + D
  • Vão do Galpão, como entendido pelas construtoras: 20m + A + B + C + D + 1 largura de coluna
  • TOLERÂNCIAS DE MONTAGEM

Outro tema de relevada importância. Estamos criando um artigo exclusivo para tratar este tema. Aguardem.

CONCLUSÃO

Um trabalho criterioso feito por profissionais é necessário para que não haja surpresas ao longo do caminho. A interação, como falamos no início, das empresas envolvidas é fundamental para o sucesso da empreitada.
Nenhuma empresa entra em um negócio para perder dinheiro. Torna-se mais prudente um “excesso” de reuniões técnicas e kick-offs para acertar detalhes das medidas e dimensões necessárias para a ponte, do que posteriormente, arcar com os custos de tempo e dinheiro para os retrabalhos.

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