As fossas sépticas são unidades de tratamento primário de esgoto doméstico nas quais são feitas a separação e transformação da matéria sólida contida no esgoto. Existem vários tipos de de fossas, alguns já patenteados. Fisicamente consistem basicamente em uma caixa impermeável onde os esgotos domésticos se depositam. Pois, em grandes obras devemos ter sempre um controle 100% rigoroso, desta forma se sabemos da procedência e o controle de como a fossa tá sendo feita, então podemos adotar as mesma, caso contrário devemos sempre dimensionar e executar (construir) as mesmas na obra.
Nele, microrganismos existentes naturalmente nos esgotos, mineralizam parte da matéria orgânica, gerando lodo (que deve ser retirado, pelo menos, uma vez ao ano), gases, escuma e efluente.
A fossa séptica de concreto é indicada para locais onde não há um saneamento básico com os mínimos padrões de qualidade, já que são unidades primárias de tratamento que garantem um ambiente mais saudável.
As fossas sépticas não devem ficar muito perto das moradias (para evitar mau cheiro) nem muito longe (para evitar tubulações muito longas). A distância recomendada é de 4 metros.
Elas devem ser construídas do lado do banheiro, para evitar curvas nas canalizações. Também devem ficar num nível mais baixo do terreno e longe de poços ou de qualquer outra fonte de captação de água (no mínimo 30 metros de distância), para evitar contaminações, no caso de um eventual vazamento. O tamanho da fossa séptica depende do número de pessoas da moradia. Ela a dimensionada em função de um consumo media de 200 litros de água por pessoa, por dia. Porem a capacidade nunca deve ser inferior a 1000 litros. As fossas sépticas podem ser de dois tipos:
-Pré-moldadas -Feitas no local (Recomendada para Grandes Obras)
Execução
A execução fossa séptica feita na obra começa pela escavação do buraco onde a fossa vai ficar enterrada no terreno.
O fundo do buraco deve ser compactado, nivelado e coberto com uma camada de 5 cm de concreto magro, (1 saco de cimento, 8 latas de areia, 11 latas de brita e 2 latas de água, a lata de medida a de 18 litros) sobre o concreto magro é feito uma laje de concreto armado de 6 cm de espessura (1 saco de cimento, 4 latas de areia, 6 latas de brita e 1,5 lata de água), malha de ferro 4.2 a cada 20 cm.
As paredes são feitas com tijolo maciço, ou cerâmico, ou com bloco e concreto. Durante a execução da alvenaria, já devem ser colocados os tubos de entrada e saída da fossa (tubos de 100 mm) e deixa ranhuras para encaixe das placas de separação das câmaras, caso de fossa retangular.
As paredes internas da fossa devem ser revestidas com argamassa a base de cimento (1 saco de cimento, 5 latas de areia e 2 latas de cal).
A fossa séptica circular, na qual apresenta maior estabilidade, utiliza-se para retentores de escuma na entrada e na saída, Tês de PVC de 90 graus com diâmetro de 100 mm.
Na fossa séptica retangular a separação das câmaras (chicanas) e a tampa da fossa são feitas com placas pré-moldados de concreto.
Para a separação das câmaras são necessárias cinco placas: duas de entrada e três de saída. Essas placas têm quatro centímetros de espessura e a armadura em forma de tela.
A tampa é subdividida em placas, para facilitar a sua execução e até a sua remoção placas com 5 cm de espessura e sua armação também é feita em forma de tela.
O que é o Filtro Anaeróbio e como funciona
São estações de tratamento primário de esgotos sanitários, geralmente com forma prismática, seção quadrada ou retangular, com fundo falso em concreto armado, cheios de pedra britada graduada, nos quais os efluentes procedentes das fossas sépticas são distribuídos de maneira a sofrerem maior oxidação e, conseqüentemente, maior ação bacteriana. Os efluentes dos filtros são, geralmente, conduzidos a um curso d’água. Isto torna obrigatória a inspeção periódica da qualidade desses efluentes e a manutenção dos filtros, através da troca do material filtrante (brita graduada).
As principais limitações dos filtros anaeróbios decorrem do risco de obstrução do leito (entupimento ou colmatação dos interstícios) e do volume relativamente grande devido ao espaço ocupado pelo material inerte de enchimento.
As finalidades do material de enchimento são: permitir o acúmulo de grande quantidade de biomassa, com o conseqüente aumento do tempo de retenção celular; melhorar o contato entre os constituintes do despejo afluente e os sólidos biológicos contidos no reator; atuar como uma barreira física, evitando que os sólidos sejam carreados para fora do sistema de tratamento; e ajudar a promover a uniformização do escoamento no reator. (ANDRADE NETO et all ,1999b).
O material mais utilizado para enchimento de filtros anaeróbios no Brasil é a pedra britada Nº 4, que é um material muito pesado e relativamente caro, devido ao custo da classificação granulométrica.
Outros materiais já foram estudados e experimentados no enchimento de filtros anaeróbios no Brasil: gomos de bambu (COUTO e FIGUEIREDO, 1993; NOUR et all, 2000); escória de alto forno de siderúrgicas (CHERNICHARO, 1997); vários tipos e granulometria de pedras (ANDRADE NETO et all, 1999c); tijolos cerâmicos vazados comuns e anéis de Eletroduto corrugado de plástico (ANDRADE NETO et all, 2000). Estes estudos têm demonstrado que anéis de Eletroduto (conduíte cortado) é um bom material para enchimento de filtros anaeróbios. Os filtros anaeróbios mais usuais têm fluxo ascendente ou descendente. Nos filtros de fluxo ascendente o leito é necessariamente submerso (afogado). Os de fluxo descendente podem trabalhar afogados ou não. Aparentemente, os filtros com fluxo descendente afogado assemelham-se funcionalmente aos de fluxo ascendente, com algumas facilidades operacionais.
Atualmente há entendimento entre vários autores de que, em filtros anaeróbios com leito submerso (afogado), independentemente do sentido do fluxo, a estabilização da matéria orgânica deve-se principalmente aos sólidos acumulados nos interstícios do material de enchimento.
Filtros anaeróbios constituem uma tecnologia ainda em franco desenvolvimento. A busca de alternativas para o material de enchimento, que é responsável pela maior parcela dos custos e pelo volume, e o aperfeiçoamento de detalhes construtivos, incluindo o sentido do fluxo e a facilidade de remoção do lodo em excesso, são os aspectos que merecem maior atenção.
Apenas os filtros com fluxo ascendente têm sido significativamente aplicados ao tratamento de esgotos e pesquisados. Pouco se conhece sobre os filtros anaeróbios de fluxo descendente com leito afogado (submersos).
O que é o Sumidouro e como funciona
É um poço sem laje de fundo que permite a penetração do efluente da fossa séptica no solo. O diâmetro e a profundidade dos sumidouros dependem da quantidade de efluentes e do tipo de solo. Mas, não deve ter manos de 1m de diâmetro e mais de 3m de profundidade, para simplificar a construção. Os sumidouros podem ser feitos com tijolo maciço ou blocos de concreto ou ainda com anéis pré-moldados de concreto.
A construção de um sumidouro começa pela escavação do buraco, a cerca de 3m da fossa séptica e num nível um pouco mais baixo, para facilitar o escoamento dos efluentes por gravidade. A profundidade do buraco deve ser 70 cm maior que a altura finas do sumidouro. Isso permite a colocação de uma camada de pedra, no fundo do sumidouro, para infiltração mais rápida no solo, e de uma camada de terra, de 20cm, sobre a tampa do sumidouro.
Os tijolos ou blocos só devem ser assentados dom argamassa de cimento e areia nas juntas horizontais. As juntas verticais devem ter espaçamentos(no caso de tijolo maciço de um tijolo), e não devem receber pré-moldados, eles devem ser apenas colocados uns sobre os outros, sem nenhum rejuntamento, para permitir o escoamento dos efluentes.
A laje ou tampa do sumidouro pode ser feita com uma ou mais placas pré-moldadas de concreto, ou executada no próprio local, tendo o cuidado de armar em forma de tela.
Exemplo Prático
- Projetar o TQ, FA e Sumidouro para um edifício com 8 pavimentos tipo, térreo pilotis, com 4 apartamentos por pavimentos, padrão médio de acordo com os dados abaixo:
1. Profundidade do coletor na entrada do TQ e igual 0,70m
2. Distância mínima do fundo das unidades ao lençol d’’água e igual 1m.
3. Diâmetro do coletor Ф150mm, declividade 1%.
4. Desnível entre o NA do TQ e do FA é Δh = 0,20m.
5. Distancia média entre FA e Sumidouro 10m.
6. Coeficiente de percolação do solo K=0,08 m3 / m2.dia.
7. Período de limpeza de 4 anos.
1º Passo: Determinação do Numero de contribuintes (N)do Numero de contribuintes (N)
- Edifício com 8 Pavimentos tipo com 4 apartamentos por pavimentos, Padrão
Médio(2 Dormitórios sendo um de Casal, Sala, Cozinha, Banheiro, Área de Serviço),
Logo Admitindo 5 pessoa por apartamento e Mais 5 Pessoas da Administração
condominial e mais 1% de Visitas temos:
N = 8 x 4 x 5 + 5 + 0,01(8 x 4 x 5) = 166,6 = 167 Pessoas
2º Passo: Determinação das contribuições unitárias de esgoto(C) e de Lodo
Fresco (Lf)
- Tomando a Resistência com padrão Médio Temos Pela Tabela 1 NBR7229/1993
os seguintes valores:
C = 130 litros/dia x pessoa
Lf = 1 litros/dia x pessoa
3º Passo: Determinação do período de detenção (T)
- Para a determinação do período de detenção consulta-se a tabela 2
(NBR7229/1993). Porém, antes disso é preciso calcular a contribuição diária, obtida
a partir do produto entre a contribuição diária por pessoa vezes o número de
pessoas.
C(diária) = N x C = 167 x 130 = 21710 litros/dia
Tomando 21710 litros/dia como contribuição diária consulta-se a Tabela 2
(NBR7229/1993) e Obtemos:
T = 0,50 dias
4º Passo: Determinação da taxa de acumulação total de lodo(K), por intervalo
entre limpeza e temperatura de mês mais frio.
- Admitindo um valor de temperatura média para o mês mais frio do ano,
compreendendo t>200, para o caso de Belém – PA, e um intervalo entre limpeza da
fossa de 4 anos, consulta-se a tabela 3 (NBR7229/1993), obtém-se K = 177 dias
5ºPasso: Cálculo do volume útil (V)
V = 1000 + N (C x T + K x Lf) – NBR7229/1993
- Colocando os dados obtidos nos passos anteriores, temos:
V= 1000 + 167(130 x 0,50 + 177 x 1)
V = 41414 litros V = 41,414 m3
6º Passo: Determinação das dimensões
- Conforme os dados acima Têm:
Profundidade Mínima(m)(NBR7229) (metros) = 1,80m
Profundidade Máxima(m)(NBR7229) (metros) = 2,80m
4,30 = 0,75 + h + 1,00 ► h = 2,55 m
h = 2,55m, está entre a profundidade mínima e profundidade máxima, então será o
adotado para o dimensionamento das dimensões da fossa.Em caso de h fosse
maior ou menor de que as dimensões especificada pela norma se adotaria as
especificações verificada acima.
2 ≤ L/B ≤ 4(NBR7229)
Solução Tipo Prismática
L = 2B L = 4B
L x B x 2,55 41,414 L x B x 2,55 41,414
2B x B x 2,55 41,414 4B x B x 2,55 41,414
B 8,12 B 4,06
B 2,85m L 5,70m B 2,01m L 8,04m
L 5,70m L 8,04m
B 2,85m B 2,01m
h 2,55m h 2,55m
Solução Tipo Cilíndrica
h = 2,55m
π.D2 .h/4== 41,414
D = 4,55m
LINK PARA DOWNLOAD:
DOWNLOAD APOSTILA
Tamanho: 1,25mb
Páginas:41
Fonte: P.P.E.A. - Projeto Permanente de Educação Ambiental
[1] CREDER, Hélio. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. LTC . 6ª Edição.Rio de Janeiro.2006. [2] JORDÃO, Eduardo Pacheco & PESSÔA, Constantino Arruda. Tratamento de Esgotos Domésticos. ABES. 3ª Edição. Rio de Janeiro 1995. [3] NBR 7229/1993- Projeto, construção e operação de sistemas de Tanques sépticos. NBR 7229 Para baixar Clique Aqui
Como remover manchas de óleo do concreto: guia prático para garagens e calçadas
Manchas de óleo são feias, escorregadias e podem danificar a superfície do concreto. Aprenda os métodos mais eficazes para eliminá-las de vez.
Atenção: Quanto mais rápido você agir, mais fácil será a remoção. O óleo penetra nos poros do concreto com o tempo, tornando a limpeza profunda mais difícil.
1. O Método da Areia Absorvente (Para manchas recentes)
Se o óleo acabou de cair, não tente lavar com água imediatamente, pois isso pode espalhar a mancha.
Espalhe areia para gatos ou serragem sobre a mancha.
Deixe agir por 24 a 48 horas para absorver o excesso.
Varra e descarte o material sujo.
Dica extra: Cubra a área com cimento seco por mais dois dias para extrair o óleo residual dos poros.
2. Lavagem com Detergente e Escovação
Após remover o excesso, é hora de atacar a mancha impregnada:
Faça uma pasta grossa com detergente desengordurante e um pouco de água.
Esfregue vigorosamente com uma escova de cerdas duras (ou de aço, se o concreto for rústico).
Enxágue com água em abundância. Repita o processo se necessário.
3. Métodos Químicos (Cuidado redobrado)
Para manchas antigas e persistentes, existem soluções mais fortes, mas que exigem cautela:
Hidróxido de Sódio (Soda Cáustica): Eficaz, mas corrosivo. Use luvas e proteção ocular.
Solventes (Gasolina/Querosene): Dissolvem o óleo, mas podem "comer" a superfície do concreto e são altamente inflamáveis. Evite se possível.
Vídeo Demonstrativo
Confira na prática como realizar a limpeza profunda do seu piso:
Conclusão
Manter o piso da garagem limpo não é apenas uma questão estética, mas de preservação do patrimônio. Um concreto bem cuidado valoriza o imóvel e evita acidentes.
Comentário do Engenheiro
Prevenir é melhor que limpar
Se você tem um piso de concreto novo, considere aplicar um selante ou hidrofugante. Isso fecha os poros do concreto e impede que o óleo penetre, facilitando a limpeza apenas com um pano úmido.
Assinatura
Eng. Ruy Serafim de Teixeira Guerra
Clube do Concreto • Especialista em Tecnologia do Concreto
Pisos Industriais: os erros mais comuns durante a construção e como evitá-los
Fissuras, delaminação, juntas problemáticas, base mal compactada e barras de transferência fora de posição
não costumam ser azar de obra. Na maioria das vezes, são consequência direta de falhas de planejamento e execução.
Dimensionamento de Escadas e Rampas: Guia Prático NBR 9050 e 9077
Clube do Concreto • Escadas, Rampas e Acessibilidade
Dimensionamento de Escadas e Rampas: Guia Prático NBR 9050 e NBR 9077
Este artigo atualiza a postagem clássica do Clube do Concreto sobre escadas e rampas, mantendo a lógica prática do dimensionamento, mas trazendo o assunto para a linguagem de hoje e para os critérios mais atuais de acessibilidade.
O artigo antigo do Clube do Concreto tratava do tema com base na NBR 9077 e na NBR 9050/2004. Hoje, para acessibilidade, a referência de projeto amplamente adotada é a ABNT NBR 9050:2020, enquanto o dimensionamento de saídas de emergência continua exigindo compatibilização com a NBR 9077 e, na prática, com a instrução técnica do Corpo de Bombeiros aplicável ao estado da obra.
Resumo direto: para escadas de uso comum e rotas acessíveis, o conforto e a segurança passam por medidas constantes de piso e espelho, boa relação de Blondel, patamares corretos, corrimãos bem detalhados e sinalização adequada. Para saídas de emergência, a largura final e a configuração devem ser verificadas conforme a ocupação, a população e a legislação de segurança contra incêndio.
O que continua atual no artigo antigo?
A essência continua correta: escadas precisam de ritmo, constância dimensional e conforto de uso. Também continua atual a ideia de que escadas e rampas não são apenas soluções geométricas para vencer desníveis, mas partes importantes do projeto arquitetônico, da circulação e da segurança dos usuários.
O que mudou é que hoje vale atualizar o texto com a redação e os parâmetros da NBR 9050:2020 para acessibilidade, além de deixar mais claro onde termina a lógica da acessibilidade e onde começa a verificação específica de saídas de emergência.
Representação esquemática de escada em planta baixa e corte, muito útil para visualizar o comportamento do lance, do patamar e do corrimão.
Partes básicas de uma escada
Antes de dimensionar, é importante falar a mesma língua do projeto. Uma escada é formada por elementos simples, mas cada um deles interfere diretamente no uso.
Piso
É a parte horizontal do degrau, onde o pé apoia.
Espelho
É a parte vertical entre dois pisos consecutivos.
Lance
É a sequência de degraus entre dois patamares ou entre piso e patamar.
Patamar
É a área de descanso ou transição entre lances, fundamental para segurança e mudança de direção.
Corrimão
É o elemento de apoio manual que acompanha a circulação e melhora a segurança do usuário.
Guarda-corpo
É a proteção lateral que evita queda nas bordas da escada ou da rampa.
Esquema com os principais elementos de uma escada: piso, espelho, patamar, alturas de corrimão e prolongamentos.
Escadas: critérios atualizados de dimensionamento
Nas escadas, a NBR 9050:2020 mantém a lógica clássica de conforto e constância dimensional. As dimensões dos pisos e espelhos devem ser constantes em toda a escada ou nos degraus isolados, e a relação geométrica precisa respeitar a proporção tradicional de conforto.
Relação de Blondel / condição de conforto 0,63 m ≤ p + 2e ≤ 0,65 m
onde: p = piso do degrau e = espelho do degrau
Pisos (p): 0,28 m ≤ p ≤ 0,32 m
Espelhos (e): 0,16 m ≤ e ≤ 0,18 m
Largura mínima da escada em rota acessível: 1,20 m
Primeiro e último degraus: em construções novas, devem distar no mínimo 0,30 m da circulação adjacente
Patamar: no mínimo a cada 3,20 m de desnível e sempre nas mudanças de direção
Exemplos de escadas retas, em U e em L. A geometria muda, mas a lógica de conforto e constância dimensional continua valendo.
Como calcular uma escada de forma prática
A forma mais simples continua sendo a mesma: definir a altura total a vencer, escolher um espelho dentro da faixa adequada, calcular o número de espelhos e depois encontrar o piso pela relação de Blondel.
Exemplo direto
Suponha uma altura total H = 2,89 m entre o piso inferior e o piso superior. Se você adotar e = 0,17 m:
n = H / e = 2,89 / 0,17 = 17 espelhos
Pela relação de Blondel, usando um valor central de conforto:
p + 2e = 0,64 m
p + 2(0,17) = 0,64
p = 0,64 - 0,34 = 0,30 m
Como uma escada com n espelhos possui normalmente n - 1 pisos em um lance simples, o desenvolvimento horizontal básico fica:
d = (n - 1) × p = 16 × 0,30 = 4,80 m
Na prática: o cálculo geométrico é só o começo. Depois disso ainda é preciso compatibilizar o espaço disponível, os patamares, a estrutura, a circulação e, quando for o caso, as exigências de acessibilidade e de saída de emergência.
Corrimãos e guarda-corpos: aqui muita obra ainda erra
O artigo antigo já acertava ao dar grande importância ao corrimão. Hoje vale atualizar os detalhes com a redação da NBR 9050:2020. Em escadas e rampas, os corrimãos devem existir em ambos os lados, em duas alturas, acompanhando a inclinação e sem interrupção indevida ao longo do percurso.
Alturas: 0,92 m e 0,70 m
Prolongamento mínimo nas extremidades: 0,30 m
Seção de empunhadura: entre 30 mm e 45 mm
Afastamento mínimo da parede: 40 mm
Material: rígido, firmemente fixado e seguro ao uso
Detalhes de corrimão e empunhadura. É justamente nessa parte que muitas escadas deixam de atender bem ao uso real.
Outro ponto importante: em rotas acessíveis, não se admitem escadas com espelhos vazados, e bocéis ou projeções de aresta precisam respeitar os limites normativos.
Rampas: quando são a solução correta
O texto antigo já explicava uma verdade que continua atual: a rampa não cabe simplesmente no lugar da escada. Quando a solução precisa ser acessível, a rampa normalmente ocupa mais comprimento do que as pessoas imaginam.
Pela NBR 9050:2020, a inclinação das rampas é calculada por:
i = (h × 100) / c
onde i é a inclinação em %, h é a altura do desnível e c é o comprimento da projeção horizontal.
Até 5,00%: situação mais confortável
De 5,00% a 6,25%: ainda sem limite de segmentos pela Tabela 4
De 6,25% a 8,33%: até 15 segmentos, com atenção às áreas de descanso
Em reformas, quando esgotadas as possibilidades, podem existir casos excepcionais até 12,5%, respeitando a Tabela 5
Tabela de inclinações admissíveis: continua sendo o ponto-chave para evitar rampas impraticáveis ou perigosas.
Largura, patamares e curvas das rampas
A largura das rampas deve acompanhar o fluxo de usuários. Em rotas acessíveis, a largura livre mínima recomendável é de 1,50 m, sendo o mínimo admissível de 1,20 m. Em edifícios existentes, quando a adaptação for impraticável, a norma admite largura mínima de 0,90 m com segmentos de no máximo 4,00 m.
Os patamares de início, término e intermediários devem ter dimensão longitudinal mínima de 1,20 m, e nas mudanças de direção devem ter dimensão igual à largura da rampa.
Para rampas em curva, a inclinação máxima admissível é de 8,33% e o raio mínimo interno é de 3,00 m.
Patamares das rampas: espaço de transição, descanso e mudança de direção também é parte do dimensionamento.
Em rampa curva, o raio mínimo interno e a inclinação limite precisam ser respeitados para garantir uso seguro.
Como compatibilizar NBR 9050 e NBR 9077 sem confusão
Esse é o ponto que mais merece atualização no artigo antigo. A NBR 9050 trata da acessibilidade e do uso seguro por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Já a NBR 9077 e a regulamentação do Corpo de Bombeiros entram com força quando a escada ou a rampa fazem parte da rota de saída de emergência.
Na prática, isso significa que a escada pode estar geometricamente confortável e acessível, mas ainda precisar de verificação adicional de largura, número de unidades de passagem, enclausuramento, descarga, portas e sinalização conforme a ocupação da edificação e a população considerada no projeto de segurança contra incêndio.
Em resumo: para um artigo prático, a NBR 9050 resolve muito bem a parte geométrica de acessibilidade, conforto e detalhes. Mas, se o tema for saída de emergência, o dimensionamento final nunca deve parar só nela.
Erros mais comuns em projetos de escadas e rampas
Misturar espelhos diferentes no mesmo lance;
Deixar piso fora da faixa de conforto;
Esquecer o patamar em mudanças de direção;
Adotar corrimão em uma altura só quando o caso pede dupla altura;
Fazer rampa “caber” no espaço da escada sem verificar comprimento real;
Ignorar a compatibilização com a saída de emergência e com o Corpo de Bombeiros.
Conclusão
O antigo artigo do Clube do Concreto continua valioso porque parte de uma lógica simples e correta: escadas e rampas precisam ser dimensionadas com constância, conforto e segurança. A atualização necessária está em trazer o texto para o vocabulário técnico de hoje, incorporando a NBR 9050:2020 e deixando mais clara a fronteira entre acessibilidade e saída de emergência.
Em outras palavras: a boa escada não é apenas a que cabe no desenho. É a que funciona bem para quem usa, respeita a norma e conversa com a realidade da obra.
Sugestão de URL amigável:
/dimensionamento-de-escadas-e-rampas-nbr-9050-nbr-9077
Sugestão de chamada para redes sociais:
“Atualizei o artigo clássico do Clube do Concreto sobre escadas e rampas. Agora com linguagem mais clara, fórmula de Blondel, corrimãos, patamares, rampas acessíveis e compatibilização prática entre NBR 9050 e NBR 9077.”
Comentário do Engenheiro
O que a prática ensina sobre escadas e rampas
Escada mal dimensionada incomoda todo dia. Rampa mal pensada muitas vezes nem chega a funcionar direito. E isso mostra uma coisa simples: esse tipo de elemento não pode ser tratado como sobra de espaço no projeto.
Eu gosto muito desse assunto porque ele mostra bem como um detalhe geométrico aparentemente simples muda a qualidade do uso. Quando o piso, o espelho, o corrimão e o patamar são pensados direito, a diferença é sentida por qualquer pessoa, mesmo sem saber explicar tecnicamente o motivo.
É por isso que atualizar esse artigo vale a pena: a essência continua boa, mas a norma evolui e o modo de apresentar o assunto também precisa evoluir.
Assinatura
Eng. Ruy Serafim de Teixeira Guerra
Clube do Concreto • Projetos Estruturais em Concreto Pré-fabricado e Tecnologia do Concreto
Créditos das imagens
Diagramas técnicos aproveitados e reorganizados a partir da própria postagem histórica do Clube do Concreto.
Imagem de capa composta a partir de ilustração da postagem antiga para manter a identidade do tema.
Patologias em Pisos Industriais: causas, diagnóstico e reparo sem improviso
Delaminação, desgaste, bolhas, destacamentos e fissuras não pedem o mesmo reparo.
Antes de pensar em produto, é preciso entender a causa real do problema.
Clube do Concreto • Recuperação de Pisos Industriais
Recuperação de Pisos Industriais: como tratar patologias no concreto e nos revestimentos
Danos estéticos, aumento do custo operacional, risco de acidentes e perda de produtividade:
quando um piso industrial começa a falhar, o problema quase nunca é apenas visual.