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Dosando modernamente um CONCRETO de 50 Mpa (2)

 Parte 1- http://www.clubedoconcreto.com.br/2018/01/dosando-modernamente-um-concreto-de-50.html

Antes de iniciar a segunda parte vou esclarecer mais sobre a questão da escolha do fcj.

Temos hoje uma grande confusão para sabermos se o concreto que recebemos ou produzimos está atendendo ao pré-requisito de resistência, tudo devido a imposição de um controle estatístico feito pela norma. 

Veja o seguinte: o consumidor nada tem a haver com controles estatísticos, ninguém compra alguma coisa solicitando o controle estatístico do produto!!! imagine comprar alguma coisa e solicitar o seu controle estatístico!! estes controles para a resistência devem ser feitos somente internamente  pelas usinas de concreto e pelos laboratórios de controle de aferição de resultados. 

Seria muito simples verificar se o concreto atende ou não a resistência especificada pelo projeto da seguinte forma:

-Se este valor for superior ou igual ao fck o concreto estaria CONFORME, uau...!!! acabaria as confusões no recebimento do concreto!! 


Aos dosadores e produtores estes sim, teriam de utilizar o fcj com os coeficientes de STUDENT adequados ao seu uso, ou seja ao tamanho da amostra para uma determinada certeza, nada de imposições. O critério de se utilizar amostras com 20/30/....seria a critério do fabricante deste concreto. Resta ainda ao dosador utilizar o coeficiente de certeza a ser escolhido, se ele quer arriscar a ter concretos 5% não conformes e fazer os consertos de futuras patologias, que continuem a utilizar ao pé da risca a norma!!!.....que tal utilizar 99% de certeza no seu lote???


Depois falo mais sobre isso....

 Passo 4: PROPORCIONAMENTO

Deve-se primeiramente fazer a análise granulométrica de cada agregado e com esta informação se realizar um enquadramento em um curva padrão que faça o empacotamento dos grãos reduzindo ao máximo os seus vazios. 



Tem-se utilizado a curva de Fuller para isso, outras curvas apareceram mas nestas épocas não se tinha a vibração e aditivos e adições que temos hoje.Alguns dosadores de concreto atualmente utilizam Andreassem modificado, todas as  curvas utilizam a dimensão máxima característica (DMC) dos agregados que foram escolhidos. Então se procura uma menor dispersão da curva da mistura escolhendo criteriosamente cada percentual para cada agregado.Dispersão é um numero que se encontra utilizando formulações matemáticas que o método DPCON adota, os outros métodos existentes de dosagem não tem esta informação!!



É bom se entender o que é DMC e DMT:


A dimensão máxima caraterística (DMC) de um agregado esta associada à distribuição granulométrica do agregado, correspondente à abertura nominal, em milímetros, da malha da peneira da série normal ou intermediária, na qual o agregado apresenta uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa. 


Dimensão máxima teórica (DMT) é a medida exata na qual o agregado apresenta uma porcentagem retida acumulada EXATAMENTE igual a 5% em massa ou de outro valor a que se venha adotar em função do produto fabricado (semi secos se utiliza em torno de 20%)


A conta para se achar o DMT é meia complexa tendo em vista que a curva padrão é logaritimica. O DPCON faz automaticamente esse cálculo após a escolha dos agregados que se deseja utilizar. 

Mas qual tipo de agregado devemos utilizar? e quantos tipos de agregados?

Claro que as areias devem ser de boa qualidade, e claro que as britas devem ser cúbicas...

Se for utilizado uma areia e uma brita, deve-se ter consciência que a dispersão em relação a curva padrão será maior e isso certamente ocasionará maiores desvios padrões nos resultados de resistência do concreto. Pode-se diminuir esta dispersão utilizando somente uma areia e uma brita de DMC menor, que tal fazer com a B12 e terá surpresas...

Para se obter uma dispersão menor é evidente que deve-se misturar pelo menos 3 bons agregados.

O método para se encontrar cada percentual dos agregados é que fica a cargo do dosador do concreto. O DPCON faz tudo automaticamente se apertando um botão, o comando Solver do excel encontra a resposta em segundos...

Fazer por tentativa é cansativo e não se encontra os valores matematicamente corretos e mesmo se utilizar o método da ABCP não convém.....veja AQUI o porque.

Resta verificar o teor de finos (não deixe de ver o teor de pulverulentos) depois de se obter a mistura. Eu pessoalmente adoto a peneira 0.15 que é a mesma adotada na bibliografia das bombas Shuwing. Compare este teor de finos se está acima ou abaixo da curva padrão. É de suma importância se quiser fazer um bom concreto!! Lembre que um bom concreto, seja ele bombeado ou de outro tipo, nada mais é do que um concreto bem dosado e nada mais além disso. Vou publicar mais a respeito dos finos no concreto. 

Se o teor de finos está muito diferente do padronizado troque ou adicione agregados!!!  não adote misturas com altas dispersões porque certamente irá obter concretos ruins e irá ter um bom NOCRETO


 Passo 5: TEOR DE ÁGUA INICIAL

É preciso ter um teor de água inicial para se calcular o traço inicial para depois se verificar o teor de água inicial na  trabalhabilidade a ser utilizada.

Um vai e vem: teor inicial de água>>>traço inicial>>>verificação da trabalhabilidade>>>teor de água final

Este teor de água inicial se obtém por tabelas ou por formulações que foram parametrizadas com diversos estudos. 

W=235*St^0.10 / ((DMT)^0.18) 

W= água em lts/m3. 
St= abatimento em mm para o concreto. 
DMT=dimensão máxima teórica em mm previamente calculado. 

O método DPCON utiliza uma fórmula própria. Como se trata de um vai e vem pode-se estimar este teor de água inicial por tabelinhas conforme estas logo abaixo:




Sendo utilizado aditivos ou mesmo adições devemos fazer um ajuste deste teor de água inicial adotado em função  do tipo e da quantidade do aditivo escolhido e da adição.

Digamos que nesse caso de dosagem que estamos realizando utilizaremos para um slump de 10mm e com uma areia, a brita B12 e a brita B19 (de preferencia com as britas sempre da mesma pedreira) teríamos pela tabela um teor de água inicial de 205 litros. Digamos que utilizaremos o aditivo com base de Policarboxilato e que este aditivo faça um corte de 20% do teor de água, teremos:

Teor inicial de água: 205 x 0.80 = 164 litros de água

Esta mistura tem um teor de ar aprisionado que temos de utilizar na confecção dos traços.

Veja que a  tabela azul acima fornece o valor do ar aprisionado, para o DMC de 19mm temos 2% de ar aprisionado. Para facilitar o trabalho o método DPCON parametrizou com uma fórmula própria o cálculo deste teor de ar.


 Passo 6: TRAÇO INICIAL

Com os dois parâmetros já encontrados e refazendo a fórmula abaixo teremos para o traço inicial: 

a/c = 0.42
teor de água 164 lts/m3

O consumo de cimento será:  164 / 0.42 = 390 kg/m3 >>>390 / 3.15 = 124 lts/m3

A%=a/c / (1+m) *100 então A%(1+m)=a/c*10


Calculemos o volume absoluto de agregados contidos em um m3 de concreto:

Vol agreg = 1000-124-164-20= 692 litros por m3

Digamos que os agregados tenham uma densidade parecidas e seja de 2,60 t/m3

2.60 x 692 = 1800 kg de agregados por m3

Com os valores dos % do proporcionamento se obtêm a parcela para cada agregado

digamos areia 44%  B12 28%  B19 28% 

O traço inicial será:

Cimento 390 kg/m3
Areia 1800 x 44% = 792 kg/m3
B12  1800 x 28% = 504 kg/m3
B19 1800 x 28% = 504 Kg/m3
Água 164 - 0.8% x 390 =161 kg/m3
Aditivo 0.8% x 390 = 3.12 kg/m3

Verificando o teor de agua materiais secos:

A% = 164 / (390+1800) = 7.5 %

Verificando o teor de argamassa:

%arg = (390+792)/(1800+390) = 1182/2190=54%


Fazer o concreto e verificar a trabalhabilidade (slump, visual...) corrigir se necessário.
Existe três formas de se corrigir, lembre-se que utilizando maior teor de água o consumo de cimento irá aumentar.

-Aumentando o teor de  água
-Aumentando o teor de aditivo
-Ou ambos acima


 Passo 7: TRAÇO FINAL

Mãos a obra e depois de se ajustar o teor de água se volta se moldam cp's para diversas idades.

Depois com vários a/c ( utilizo 6 a/c para ser bem exato) se moldam mais outros cp's para se obter a curva de correlação de a/c versus resistência (Abrams)....

O método DPCON tem este passo a passo na sua sequencia de dosagem e encontra matematicamente as formulações destas curvas para diversas idades escolhidas. Abaixo uma imagem das curvas deste cimento da Votorantim para as idades de 1/3/7 e 28 dias:




Com a fórmula se acha o a/c final e com ela temos o traço final.

Missão cumprida, ufa!! levei horas escrevendo essa publicação, mas o DPCON realiza os cálculos de uma maneira muito simples e rápida, não existe procura de valores em tabelas, todas as fórmulas foram parametrizadas!! Assim temos um CONCRETO e por aqui nada de NOCRETO !!!

Qualquer dúvida é só comentar e que tal adquirir o DPCON para estudar e realizar as suas dosagem de CONCRETOS plásticos e semi secos ??  Adquira AQUI

Eng Ruy Serafim de Teixeira Guerra






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O Que É Concreto Celular? e como fazer....

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– Concreto Celular é geralmente definido como um material cimentício de baixo peso, que contém células estáveis ​​de ar uniformemente distribuídas por toda a mistura, numa quantidade superior a 20%. Os materiais cimentícios envolvem as bolhas de ar, então se dissipam deixando uma estrutura vazia como um substituto dos agregados tradicionais.

– A maioria dos concretos convencionais são produzidos numa faixa de densidade próxima de 2400 kg por metro cúbico. Na última década assistiu a grandes avanços no campo de concretos densos e fantásticas resistências à compressão de concreto, obtidas por novos projetos de traços. No entanto, o concreto convencional tem alguns inconvenientes. É pesado, difícil de trabalhar, e após sua cura, não pode ser cortado ou ter algo preso em si, sem alguma dificuldade ou uso de ferramentas especiais. Algumas queixas sobre o assunto incluem a percepção de que ele é frio e úmido. Ainda assim, é um material de construção notável – fluido, forte, relativamente barato e ambientalmente inócuo, além de estar disponível em quase todas as partes do mundo.
– O Concreto Celular começa numa faixa de densidade de menos que 300 kg/m3 a 1800 kg/m3. Tem sido feito tradicionalmente com uso de agregados leves, tais como xisto, argila e vermiculita expandidos, pedra-pomes, e escória entre outros. Cada um tem suas peculiaridades de manuseio, especialmente os agregados vulcânicos que necessitam de um cuidadoso acompanhamento da umidade, sendo difícil de bombear.
– A redução do peso e densidade, produz alterações significativas que melhoram muitas propriedades do concreto, tanto na entrega como na sua aplicação. Embora isto tenha sido realizado principalmente por meio da utilização de agregados leves, desde 1960 várias espumas pré-formadas foram adicionadas à mistura, reduzindo ainda mais o peso.
– As misturas bem mais leves (de 300 kg/m3 a 800 kg/m3) são produzidas muitas vezes utilizando-se apenas espuma, água e cimento; eliminando-se a areia e outros agregados, sendo até chamados de “concreto celular flutuante”. O ar retido assume a forma de pequenas bolhas, com dimensões milimétricas, homogêneas, uniformemente distribuídas, estáveis, incomunicáveis e indeformadas ao fim do processo na mistura de concreto.
– Hoje em dia, as espumas disponíveis possuem um elevado grau de compatibilidade com muitos dos aditivos utilizados atualmente nos modernos traços de concreto. A espuma utilizada com agregados leves e/ou aditivos, tais como cinzas volantes, sílica, fibras sintéticas de reforço, e a enorme faixa dos redutores de água (chamados de superplastificantes), têm produzido um novo híbrido de concreto chamado de “materiais de concreto leve”.
– Para a maioria, a implementação de um projeto de Composição Leve e Construção utiliza a tecnologia existente. Sua singularidade, porém, é o novo desenho na combinação de vários campos de uma só vez: arquitetura, projeto de mistura química, engenharia estrutural e a aplicação de concreto.


Tipo de ConcretoDensidade
Concreto CELULAR   400 a 1.600 kg/m3
Concreto LEVE1.600 a 1.900 kg/m3
Concreto CONVENCIONAL2.300 a 2.500 kg/m3
veja na página abaixo as informações desse produto  ECOFOAM – AIR / MIX e abaixo o seus traços


Materiais utilizados em estado seco, sem umidade
Tipo de UsoNão EstruturalEstrutural (c/ fibras)C. Normal
Densidade Seca – kg/m340060080010001200140016002350
Areia (kg)21040056075095011001950
Cimento (kg) +/-300310320350360380400320
Água na Massa (L) +/-110110120120140150160180
Qtd de Espuma (L) +/-800715630560460370290
Água na Espuma (L) +/-58524641332721
Densidade Úmida (kg/m3)47468789010751287151016832400
Resistência (N/mm2)~ 1~ 2~ 3~ 46 – 810-1216-18> 25
Lambda Média (W/m . K)0,0961,180,210,320,4050,450,552,10

veja seu site tem muitas explicações de diversas dúvidas


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Significado de Concreto Celular Autoclavado


Produto constituído de cal, cimento, areia e pó de alumínio (um agente expansor que funciona como fermento, fazendo a argamassa crescer e ficar cheia de células de ar, tornando-a leve), além de água. Cortada em blocos ou painéis, que vão para uma autoclave para cura, a argamassa dá origem ao silicato de cálcio, composto com alta resistência à compressão e ao fogo e de ótimo desempenho termo acústico. Os blocos são utilizados para vedação de vãos e enchimento de lajes nervuradas, e os painéis armados para paredes ou lajes. Também são encontrados blocos-canaletas para vergas e contra-vergas. Por ser leve, o produto é indicado principalmente para estruturas que não devem sofrer sobrecargas.

Como se vê é um processo industrial para a sua produção.
Bloco de Concreto Celular Autoclavado 60x30x10cm Precon
Bloco De Concreto Celular Autoclavado 60x30x10cm Precon


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Concreto Leve com EPS - Traços

O concreto leve de EPS é um concreto do tipo cimento-areia que, em vez de utilizar pedra britada, usa EPS (poliestireno expandido) em pérolas pré-expandidas ou flocos reciclados. Quando a mistura se solidifica, envolve as pérolas de EPS (compostas por mais de 95% de ar), resultando em um concreto de baixa densidade aparente.
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O concreto leve de EPS é utilizado em estruturas que não exijam grandes esforços na construção civil. Por conta de sua leveza e propriedades (resistência, isolamento térmico e baixa densidade) o uso do EPS na mistura de concreto agrega economia, dimensionamento estrutural adequado e facilidade de manuseio na obra.
Principais aplicações
  • Regularização de lajes em geral. (Inclinação para escoamento)
  • Painéis para fechamento. (Prédios, casas pré – fabricadas e galpões).
  • (Calçadas e painéis para fechamento de galerias)
  • Mobiliários. (Bancos para ambientes externos)
  • Áreas de lazer. (Quadras de esportes)
Propriedades
  • Possui baixa condutividade térmica. (Não deixa que o calor do ambiente externo seja absorvido pelo interno)
  • Não retém umidade.
  • Sua densidade aparente varia de 700 a 1600 Kg / m3.
  • Elevada capacidade de isolamento térmico e acústico.
  • Grande resistência ao fogo.
  • Fácil manuseio.
Processo de preparação e mistura
A mistura do concreto leve tem que ser feita em betoneira. Como o EPS é muito leve e sua absorção de água é pequena, as pérolas tendem a flutuar na água durante a mistura. Para evitar este problema, é preciso aplicar um aditivo, que pode ser cola branca de madeira ou papel para aumentar a massa do EPS.

Instruções de preparo
  • Adicione o aditivo (cola branca) à água de acordo com as proporções necessárias.
  • Coloque o EPS, junto com um pouco de cimento na betoneira.
  • Com a betoneira em movimento, adicione o aditivo diluído em água.
  • Quando o cimento começar a se fixar no EPS, coloque água, areia e o restante do cimento.
  • O tempo de permanência do material na betoneira deve ser o suficiente para a massa atingir a consistência necessária e em seguida ser lançada no local de utilização.
Tabela de composição da mistura
Composição de mistura para 1m³ de concreto

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Concreto leve de EPS com 50 kg de cimento
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Referência:
Manual de utilização Eps na construção civil / ABRAPEX – Associação Brasileira de Poliestireno Expandido.  São Paulo: Pini, 2006

Nada como estudar aqui pela tese de Thiago Catola:


A Tabela abaixo da ACI apresenta relações aproximadas entre resistências à compressão e consumo de cimento, para concretos só com agregados leves e para concretos com agregados leves e areia.
Essas relações valem para concretos leves de densidades maiores.


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O que é EPS?

EPS é a sigla internacional do Poliestireno Expandido, de acordo com a Norma DIN ISSO-1043/78. No Brasil, é mais conhecido como "Isopor®", marca registrada da Knauf Isopor Ltda., e designa, comercialmente, os produtos de poliestireno expandido, comercializados por essa empresa.

O EPS é um plástico celular rígido, resultante da polimerização do estireno em água em cujo processo produtivo não se utiliza gás CFC ou qualquer um de seus substitutos. Como agente expansor para a transformação do EPS, emprega-se o pentano, um hidrocarbureto que se deteriora rapidamente pela reação fotoquímica gerada pelos raios solares, sem comprometer o meio ambiente. O EPS não é biodegradável, mas é 100% reaproveitável e reciclável  podendo voltar à condição de matéria-prima.

A matéria prima obtida é um composto de pérolas de até 3 milímetros de diâmetro, que podem se fundir em formas diversas através do vapor. Quando expandidas, essas pérolas podem consistir de até 98% de ar e apenas 2% de poliestireno. Desta forma são inodoros, não contaminam o solo, água e nem o ar.

O EPS tem inúmeras aplicações em embalagens industriais, artigos de consumo (caixas térmicas, pranchas, porta-gelo etc.) e até mesmo na agricultura. É na construção civil, porém, que sua utilização é mais difundida.

Nos últimos 35 anos esse material ganhou uma posição estável na construção civil, não apenas por suas características isolantes mas também por sua leveza, resistência, facilidade de manuseio e baixo custo. O EPS é utilizado na construção civil de variadas formas, como para a execução de concreto leve, em isolamentos térmicos e acústicos diversos (divisórias, pisos elevados, telhados,juntas de dilatação, etc). Entre as mais favoráveis utilizações do EPS está a aplicação dos blocos como enchimento de lajes pré-fabricadas lineares ou cruzadas, diminuindo bastante o peso próprio em relação à técnica tradicional e o dimensionamento da laje que pode ser feita até com 10cm de altura.

As principais vantagens dessa utilização em lajes são:

1- Menor peso entre 13 e 25 kg/m3 (Peso da cerâmica = 800 kg/m3)
2- Resistência à compressão de 1.000 a 2.000 kg/m2
3- Possibilita obter grades vãos e sobrecargas altas nas lajes
4- Economia no transporte
5- Fácil manuseio com uma redução de 50% no tempo de montagem das lajes.
6- Promove inter-eixos entre vigas maiores, gerando economia de aço e concreto
7- Elimina a reposição de material por quebras de lajotas
8- Elimina a perda de nata de cimento e melhora a cura da laje
9- Melhora de 70% no isolamento da laje.

Fonte: ABRAPEX – Assoc. Brasileira de Poliestireno Expandido

O acabamento inferior da laje com EPS - isopor® pode ser executado apenas com uma única camada de gesso ou com chapisco e argamassa de cimento e areia segundo as especificações do fabricante.

Outras utilizações do EPS veja no site da CONSTRUPOR



Imagens EMEComercial
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Dosando modernamente um CONCRETO de 50 Mpa (1)

Respondendo a pergunta de Nelci de como se fazer um concreto de fck 50 Mpa (classe C50). 

Produzir CONCRETOS e não NOCRETOS  se requer várias condições que tentarei explicar ao longo dessa dosagem que Nelci solicitou. Devo dizer que não é uma simples tabelinha e sim uma dosagem REAL com um Passo a Passo para se fazer uma dosagem com a responsabilidade de garantir que o resultado atenda ao produtor e ao consumidor.


 Passo 1:  RESISTÊNCIA DE DOSAGEM

Ao se dosar um concreto para uma determinada resistência fck se utiliza como parâmetro a resistência de dosagem fcj. A ABNT NBR 12655:2006 diz que se deve majorar o fck através da equação abaixo para que se tenha uma certeza de 95% o que quer dizer que de um universo de um certo numero de resultados teremos uma certeza de obter 95% dos resultados acima do valor de fck, então é assim pela normativa:

fcj = fck + 1,65 x Sd 



Onde temos:

fcj = resistência média do concreto à compressão a j dias de idade, em Mpa (por norma j=28dias);

fck = resistência característica do concreto à compressão, em Mpa;

Sd = desvio-padrão da dosagem, em Mpa;


Como tenho explanado em diversas publicações sou contra esta imposição normativa. Este valor  da majoração do fck  nada mais é que o coeficiente de Student e deve ser de livre arbítrio a sua escolha pelo produtor de concreto  e   não imposto por normas. Claro que  para se ter o fcj seria escolhido pelo tamanho da mostra a ser utilizada e pelo percentual de certeza dos resultados que se deseja obter!!! E tudo isso ser feito diretamente pelo produtor do concreto e o consumidor receberia o concreto que sendo igual ou acima do fck estaria tudo atendido com um concreto conforme, simplíssimo e sem confusões estatísticas para o consumidor.....

Vejamos nesse caso dessa dosagem que se eu quiser ter uma certeza de 99% em um lote pequeno de 20 amostras teríamos então conforme a tabela de Student (onde o valor 1.65 foi encontrado) :



Ficaríamos com a resistência de dosagem nesse caso de fck de 50 Mpa:

fcj = fck + 2.53 x Sd = 50+2.53*Sd

O valor do desvio padrão  Sd a ser utilizado não temos, só se terá este valor com o resultado das 20 amostras que se pretende fazer. A norma diz que se  não for conhecido o desvio padrão para efeito da dosagem inicial, deverá ser fixado o desvio padrão Sd pelo critérios  nas seguintes condições:



Sd = 4,0 Mpa concreto classe C10 a C80.
A) Quando houver assistência de profissional legalmente habilitado, especializado em tecnologia do concreto, todos os materiais forem medidos em peso e houver medidor de água, corrigindo-se as quantidades de agregados miúdos e de água em função de determinações frequentes e precisas do teor de umidade dos agregados, e houver garantia de manutenção, no decorrer da obra, da homogeneidade dos materiais a serem empregados:


Sd = 5,5 Mpa concreto classe C10 a C25.
B) Quando houver assistência de profissional legalmente habilitado, especializado em tecnologia do concreto, o cimento for medido em peso e os agregados em volume, e houver medidor de água, com correção do volume do agregado miúdo e da quantidade de água em função de determinações frequentes e precisas do teor de umidade dos agregados:

Sd = 7,0 Mpa concreto classe C10 a C15.
C) Quando o cimento for medido em peso e os agregados em volume e houver medidor de água, corrigindo-se a quantidade de água em função da umidade dos agregados simplesmente estimada:

Ainda conforme determina a NBR 12655, em nenhum caso o valor deste desvio adotado para o cálculo da resistência de dosagem, poderá ser menor que 2 Mpa.

Como estamos tratando de um concreto classe C50 temos de ter como condições o item A e como não temos o desvio padrão desse traço teremos de utilizar um Sd de 4 Mpa. Finalmente temos a nossa resistência de dosagem  que assim fica:


O concreto de classe C50 (50 Mpa) será dosado para uma certeza de 99% em um lote de 20 amostras pelo fcj de:

fcj = fck + 2.53 x Sd = 50+2.53*Sd = 50+2.53*4= 60.1 Mpa

Tenho de dizer que o método DPCON faz a dosagem dessa maneira, se escolhe o tamanho da amostra a ser verificada e se escolhe por livre arbítrio o percentual de certeza que se quer, nada mal...rsrsrs


 Passo 2: a/c INICIAL

Com a resistência de dosagem temos de agora ter o fator água/cimento INICIAL, que se entenderá o porque mais adiante.

A fixação deste parâmetro é feita tomando dois critérios como referência:

1-os critérios de durabilidade (que depende  diretamente das características do concreto, leia item 7.4.1 da NBR6118/2014)

2-o critério da resistência mecânica requerida pelo concreto nas idades de interesse (nesse caso j=28 dias)

Resumidamente temos então que um concreto poderá ser dosado para uma determinada resistência fcj ou para um determinado fator água /cimento (a/c).

Os valores da relação água/cimento para o critério de durabilidade é regido  por duas tabelas pela norma NBR 6118/2014 e estão transcritas  logo abaixo .

Logo o   a/c máximo para o critério de durabilidade é classificado nesta norma pela Classe de Agressividade Ambiental - CAA pela tabela 6.1 e com esta classe  do CAA obtemos na tabela 7.1 o a/c máximo a ser utilizado.




Logo para o caso da agressividade ser atendida em todas as classes de agressividade deve ter um a/c <0.45

Para o critério de resistência mecânica que no nosso caso  fcj=60.1 Mpa o valor da relação água/cimento inicial é estimado com base na curva de Abrams, que por sua vez, deve ser determinado em função do tipo de cimento

É portanto preciso saber que tipo de cimento vai ser utilizado, digamos que eu esteja em Pernambuco e utilize o CPIIF40 da Votorantim, os resultados de resistência desse cimento estão com 48 Mpa  e  pelo método DPCON  se obtêm muito facilmente:



O a/c inicial deve então ser aquele que atenda a condição de durabilidade e que atenda a resistência 
mecânica, portanto o a/c de 0.42  atende as duas condições.

É adotado portanto um a/c INICIAL de 0.42.

Se você não tiver o DPCON  não se assuste porque esse é um  a/c INICIAL e isto será confirmado mais a frente.

Pode-se também utilizar quando não se dispõe o DPCON as Curvas de Walz para se obter o a/c inicial (em 1998 por Rodrigues), mostradas na figura 2.14 abaixo. Sendo que a parametrização que foi realizada pelo DPCON para se encontra o a/c INICIAL está muito próxima ao a/c FINAL

Este gráfico acima relaciona o a/c com a resistência do concreto para cada tipo de cimento. A resistência à compressão é o parâmetro de entrada e a sua interseção com a resistência do cimento irá determinar o fator a/c inicial



Lembre que o fator água/cimento inicial a ser utilizado deve ser o mais próximo possível da resistência de dosagem mas nada impede de se utilizar um valor qualquer de livre arbítrio, tendo em vista que se formula com equações matemáticas a correlação de a/c versus resistências do concreto para várias idades.


 Passo 3: ADIÇÕES E ADITIVOS

Aditivos devem ser utilizados para que se garanta uma boa trabalhabilidade do concreto e também para que se garanta um desvio padrão menor. Adições podem ou não ser utilizadas, nesse caso de Classe C50 não seria necessário, tenho realizado dosagens para fck de 60Mpa sem adições mas isto para dentro de uma fábrica de artefatos de cimento com misturadores planetários e dosagens em peso de bons agregados e excelentes aglomerantes e com uma equipe SINERGICA.

O percentual e o tipo de aditivo a ser utilizado é uma questão que deve ser resolvida na  confecção do TRAÇO INICIAL e também com as recomendações minimas e máximas do fabricante do aditivo.

Pode neste caso da classe C50 ser utilizado um aditivo com base de Naftaleno com um teor mais alto (cerca 1.20% do peso do cimento) ou mesmo ser utilizado um Policarboxilato com um menor teor (0.80%).

Sendo este concreto para ser utilizado em uma industria onde se lança imediatamente nas formas seria aconselhável utilizar aditivos de base Policarboxilatos, para outros casos o Naftaleno. 

Para este caso de classe C50 poderia ser usado o aditivo EUCON 1040 da VIAPOL de base Naftaleno, que iniciaria com 1,20% ou mesmo o PLASTOL5030 da VIAPOL Este percentual deve ser escolhido em ensaios com o Cone de Marsh ou com o Cilindro Espanhol. 

Deve ser observado visualmente no TRAÇO INICIAL (mais adiante em outro Passo) se está ocorrendo incorporação de ar, ou seja se está sendo formado bolhas de ar no concreto, sinal de incompatibilidade do aditivo com o cimento. 

Para escolher qual o melhor aditivo a ser usado se utiliza aditivos de diversos fabricantes  com o mesmo TRAÇO INICIAL e se moldam corpos de prova CPS, o de melhor resistência terá logicamente maior eficiência, basta depois ser verificado qual o de melhor relação de CUSTO/BENEFÍCIO, mas deve ser visto o ponto de saturação do aditivo e estudar muito...

Trabalhoso mas se trata de fazer um CONCRETO que tenha uma trabalhabilidade adequada ao uso e com um custo baixo e não se trata de fazer um NOCRETO....kkkk

Continuo na parte 2 para não ficar muito extenso....e aproveitando que tal adquirir o DPCON para se familiarizar e fazer a dosagem de CONCRETOS?? Adquira AQUI

Eng Ruy Serafim de Teixeira Guerra

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