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Tarucel, Profundidade da Junta e Aplicação do Selante: o detalhe oculto que faz a junta trabalhar bem
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Tarucel, Profundidade da Junta e Aplicação do Selante: o detalhe oculto que faz a junta trabalhar bem

Muita gente escolhe bem o selante, mas erra no detalhe executivo. E, em juntas de concreto, isso basta para comprometer todo o sistema. Tarucel, profundidade correta e aplicação bem feita fazem mais diferença do que muita obra imagina.

Em juntas seladas, o desempenho não depende apenas da marca ou do tipo químico do produto. O comportamento real da junta está diretamente ligado à geometria do cordão, à profundidade do selante, ao uso correto do fundo de junta e à forma como a aplicação é executada. Quando esses detalhes são negligenciados, a falha costuma aparecer cedo.

Resumo prático: o tarucel, ou fundo de junta, não é um acessório. Ele ajuda a controlar a profundidade, evita aderência indesejada no fundo da junta e permite que o selante trabalhe com deformação mais adequada.

O que é o tarucel e por que ele é tão importante?

O tarucel, também conhecido como fundo de junta ou delimitador de profundidade, é normalmente um cordão de espuma de polietileno colocado no interior da junta antes da aplicação do selante. Sua função parece simples, mas é extremamente importante.

Controla a profundidade

Ele define até onde o selante deve entrar, evitando excesso de material e geometrias ruins do cordão.

Evita adesão no fundo

O selante deve aderir principalmente às laterais da junta, e não ao fundo. Esse detalhe muda completamente o modo como ele se deforma.

Melhora o desempenho

Com a profundidade correta, o cordão trabalha melhor em tração e compressão ao longo do tempo.

Economiza material

Além de melhorar o comportamento da junta, o fundo de junta também evita consumo desnecessário de selante.

Aplicação de selante entre elementos de concreto
Aplicação de selante entre elementos de concreto. Em juntas desse tipo, a preparação do fundo e o controle da profundidade mudam o desempenho do sistema.

O erro clássico: deixar o selante aderir em três faces

Uma das falhas mais comuns em juntas seladas é permitir que o material adira às duas laterais e também ao fundo. Isso é conhecido, na prática, como adesão em três faces.

Quando isso acontece, o selante perde liberdade de deformação e passa a trabalhar de forma desfavorável. Em vez de acompanhar a movimentação da junta com mais naturalidade, ele fica mais suscetível a arrancamento, ruptura ou perda prematura de desempenho.

Em linguagem de obra: o selante deve “segurar” nas laterais da junta. O fundo precisa funcionar como limite, não como mais uma superfície de aderência.

Profundidade correta: aqui mora grande parte do sucesso

Não existe uma única proporção universal que sirva para qualquer junta e qualquer produto. Esse é um ponto essencial. A geometria do cordão precisa seguir a ficha técnica do selante especificado.

Em alguns selantes de piso, a relação largura:profundidade aparece próxima de 1:1. Em outros sistemas de juntas de movimentação, é comum encontrar orientações próximas de 2:1. Por isso, a regra mais importante é simples: a profundidade não deve ser decidida no improviso da obra.

O que realmente importa

  • a largura da junta existente ou projetada;
  • a movimentação esperada;
  • o tipo de selante especificado;
  • o ambiente de exposição;
  • o tipo de detalhe construtivo da junta.
Classificação dos selantes por reatividade e química
As famílias químicas de selantes são diferentes entre si. Por isso, a geometria da junta e o modo de aplicação também precisam respeitar a especificação do produto escolhido.

Como escolher o diâmetro do tarucel

Na prática, o fundo de junta deve entrar com firmeza suficiente para permanecer estável na posição definida, sem afundar de forma irregular e sem ficar solto dentro da junta. Ao mesmo tempo, ele não deve ser instalado de forma agressiva a ponto de se danificar ou perder sua função.

O importante é que ele seja compatível com a largura da junta, permita controle uniforme da profundidade e mantenha um apoio contínuo para a aplicação do selante.

Passo a passo executivo da aplicação

1. Limpeza da junta

Antes de qualquer coisa, a junta precisa estar íntegra, seca e limpa. Poeira, partículas soltas, nata de cimento, óleo, graxa e resíduos antigos prejudicam muito a aderência do sistema.

2. Verificação da geometria

Meça a largura real da junta e confira a profundidade de projeto. Essa etapa parece simples, mas evita muita decisão errada em campo.

3. Instalação do tarucel

O fundo de junta deve ser instalado na profundidade prevista, de forma contínua e sem descontinuidades. Ele é o elemento que vai “desenhar” o limite inferior do selante.

4. Proteção das bordas

Quando o acabamento visual importa, proteger as laterais com fita ajuda muito a manter regularidade e limpeza na aplicação.

5. Primer, quando exigido

Nem todo sistema exige primer em todas as situações. Mas, quando a ficha técnica pedir, essa etapa deve ser respeitada. É um erro comum ignorar isso por costume.

6. Aplicação do selante

O produto deve preencher a junta de forma contínua, sem bolhas, vazios ou falhas de contato com as laterais.

7. Acabamento

O acabamento deve garantir boa aderência às faces laterais, regularidade superficial e eliminação de bolhas superficiais.

8. Cura e proteção

Após a aplicação, a junta precisa ser protegida contra tráfego, sujeira, umidade indevida e interferências até o tempo de cura recomendado pelo fabricante.

Junta serrada em piso de concreto
Mesmo em juntas simples à primeira vista, o desempenho do selante depende diretamente da preparação, da profundidade controlada e da aplicação correta.

Erros que mais aparecem em obra

  • aplicar o selante sem fundo de junta, apenas “enchendo o vazio”;
  • deixar o material aderir ao fundo da junta;
  • instalar o tarucel em profundidade irregular;
  • usar junta suja, úmida ou contaminada;
  • não respeitar a geometria indicada pelo fabricante;
  • ignorar primer quando ele é necessário;
  • liberar a área antes da cura adequada.

Produtos encontrados no mercado brasileiro para esse sistema

Abaixo estão exemplos de materiais que entram nesse tipo de detalhe executivo, sempre lembrando que a escolha final deve ser compatibilizada com o uso da junta, o tipo de selante e a exposição do ambiente.

Fundo de junta / delimitador de profundidade

  • Tarucel® Vedacit — delimitador de profundidade em espuma de polietileno.
  • Sika® Rod — fundo de junta em espuma de polietileno de célula fechada.

Selantes elastoméricos para compor o sistema

  • Sikaflex®-108 PISO SL — selante de poliuretano para juntas em pisos.
  • Monopol® PU 25 PLUS — selante poliuretano para juntas de dilatação.
  • PU30 Construção Quartzolit — selante PU para juntas de movimentação.
Regra de ouro: tarucel não compensa junta mal dimensionada, e selante bom não corrige detalhe executivo mal feito. O sistema funciona quando geometria, preparação e aplicação falam a mesma língua.

Conclusão

Em juntas seladas, o desempenho do produto não pode ser separado do detalhe executivo. O tarucel define profundidade, evita aderência indesejada no fundo e ajuda o selante a trabalhar da forma correta.

É justamente por isso que tanta junta falha mesmo com produto bom: o problema não estava no cartucho, estava na geometria e na aplicação.

Em outras palavras: selante bom ajuda muito, mas junta bem detalhada ajuda ainda mais.

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Sugestão de chamada para redes sociais:
“Muita junta falha não por causa do selante, mas por causa do detalhe executivo. Veja por que tarucel, profundidade correta e aplicação bem feita fazem tanta diferença no desempenho da junta.”
Comentário do Engenheiro

O que a prática ensina sobre tarucel e aplicação

Em obra, é muito comum ver atenção demais no produto e atenção de menos no detalhe da aplicação. Só que, em junta selada, esse detalhe manda muito. E um dos pontos mais subestimados continua sendo justamente o fundo de junta.

Quando o tarucel é bem colocado, a profundidade fica sob controle e o selante trabalha melhor. Quando ele é ignorado ou mal instalado, a junta até pode parecer pronta no dia da entrega, mas a chance de problema aumenta bastante com o tempo.

Eu costumo dizer que junta boa não depende só de comprar um bom selante. Depende de respeitar a geometria, preparar direito e aplicar com critério. No fim das contas, o que parece detalhe é o que sustenta o desempenho.

Assinatura
Eng. Ruy Serafim de Teixeira Guerra

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Créditos das imagens Base técnica consultada

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