Paredes de concreto com fôrmas metálicas

22 de julho de 2013

05/05/2011 | Revista Téchne - Abril 2011

O que define uma fôrma metálica é o material com o qual é produzi­da, ou seja, tem estrutura e faces de contato totalmente de aço. Essa condição a difere das fôrmas tam­bém chamadas de metálicas pelo mercado, que são apenas estrutura­das com aço, mas que utilizam madeira compensada nas faces de contato. A fôrma apresentada aqui é construída integralmente com aço de alta resistência, para suportar as pressões geradas pela concretagem e proporcionar qualidade ao acaba­mento final do concreto.

As fôrmas metálicas estão dispo­níveis em diversos tamanhos para tornar o uso simples e adaptável a qualquer situação de moldagem de concreto. Suas dimensões e pesos fa­cilitam o carregamento e a monta­gem, que pode ser feita por um único trabalhador. Os sistemas de fôrmas metálicas pesam 29 kglm2, e o maior painel de fôrma pesa 22 kg.

Por se tratar de um sistema robus­to e de simples utilização, qualquer trabalhador, sem qualquer experiên­cia com montagem de fôrmas, é capaz de montar e rapidamente entender o funcionamento do sistema.

Além dos painéis de fôrma, o siste­ma também oferece painéis específi­cos para a moldagem de cantos em 90°e uma Fôrma flexível para ângulos va­riados, todos seguindo os padrões dos painéis com flanges soldados direta­mente na face do painel e as furações para possibilitar os ajustes.
As dimensões milimétricas do sistema garantem o volume de con­creto, reduzindo o desperdício du­rante a concretagem. Em outras pa­lavras, o volume de concreto calcula­do é o mesmo que será usado para moldar a peça, evitando o custo do concreto excedente.

A utilização deste sistema pode reduzir significativamente o tempo de mão de obra da montagem, des­montagem e o ciclo de reaproveita­mento do sistema. Em paredes retas, a produtividade de um trabalhador pode superar 20 m2/dia.

Todas essas características técnicas das fôrmas metálicas foram potencia­lizadas no projeto executado do audi­tório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, cons­truído pela Construtora Rio Verde En­genharia. Ali, o objetivo era viabilizar a construção de um auditório no cam­pus, atendendo dois requisitos bási­cos: agilidade e redução de custos com mão de obra. Para isso, buscava-se por um equipamento que atendesse às exi­gências do projeto e, ao mesmo tempo, oferecesse alta qualidade, desempenho na execução e segurança.
O auditório tem 19,20 m de diâ­metro, paredes com espessuras de 200 mm a 600 mm e um desnível de 84 cm entre a parte apoiada em solo e o balanço. A parte mais espessa das pa­redes - 600 mm - cumpre as funções de parede e viga ao mesmo tempo, estruturando e suportando a parte em balanço, também composta de laje e parede circular. O projeto pre­via acabamento em concreto aparen­te, uma razão a mais para o uso das fôrmas metálicas.

As fôrmas garantiram que o pro­jeto, que tinha uma baixíssima tole­rância a erros, fosse plenamente aten­dido. Elas permitiram maior agilida­de na montagem do equipamento, reduzindo os prazos de execução e o custo com mão de obra.

Dados técnicos
  • Estrutura de aço rígida composta por flanges, costelas e travessas que são soldadas diretamente na parte de trás da face de contato, que enrijecem e estruturam os painéis, formando um conjunto único.
  • O painel padrão de 600 mm x 1.200 mm pesa somente 22 kg e, em média, um conjunto de painéis pesa 29 kglm2. Os tamanhos dos painéis variam entre 50 mm e 600 mm de largura e 600 mm e 1.200 mm de altura.
  • Todos os painéis têm os flanges de borda com duas linhas de furos de 8 mm a cada 25 mm, possibilitando míni­mos ajustes, reduzindo a necessida­de do uso de preenchimento com madeira.
  • Tensor:
    • Capacidade de ruptura na tração: 2.150 kg
    • Capacidade de ruptura na cortante: 4.000 kg
Acessórios

Para que o sistema funcione corre­tamente, alguns acessórios são necessá­rios. O tensor, também conhecido como "agulha” tem como função resis­tir às pressões exercidas pelo concreto durante o lançamento nas faces ou nos flanges de cada painel. Essas pressões são transmitidas pelas grapas e dos pinos passadores para os tensores.

Os tensores são divididos em dois tipos: recuperável e não recuperável. O tensor recuperável é reaproveitado inúmeras vezes durante a obra, para uma seqüência de repetições de mesma me­dida, ou seja, paredes de mesma espessu­ra. Já o tensor não recuperável é usado em situações onde a estanqueidade do local a ser moldado é extremamente im­portante, ou em situações que os tenso­res serão utilizados uma única vez, per­manecendo no local. Esse tensor tem como opção um ponto de quebra que pode ser rompido com um simples golpe de martelo, deixando a peça invisí­vel dentro da parede. O reaproveitamen­to desse tipo de tensor é inviável, pois cria um ponto onde fragiliza a estan­queidade do tanque concretado.

As grapas são responsáveis pelas conexões e alinhamento dos painéis de fôrma metálica, transferindo os esforços para os tensores.
Os pinos passadores travam os tensores nos painéis de fôrmas e, tam­bém, auxiliam na transferência de es­forços dos painéis para os tensores.

Os alinhadores metálicos são tubos de seções retangulares utilizados para alinhar os painéis e transferir o alinha­mento para todo o conjunto montado. As mordaças fixam os alinhadores na parte estrutural dos painéis e são utili­zadas na horizontal e vertical.

A bainha plástica é usada para en­camisar o tensor recuperável e facili­tar a remoção da parede moldada.

O chanfro plástico é utilizado para chanfrar em 45° as quinas das paredes ou pilares.
Por último, o Water-Stop em­pregado nos tensores não recuperá­veis para estancar a água, para evi­tar que percole pelo tensor depois de algum tempo.

Ferramentas do sistema

Algumas ferramentas são neces­sárias para a utilização do sistema de fôrmas metálicas, como a ferra­menta-pico, a ferramenta-tubo, martelo saca tensor, martelo saca painel e, para completar, um bom martelo de carpinteiro.

A ferramenta-pico é utilizada para alinhar os furos dos flanges dos painéis durante o processo de montagem. Já a ferramenta-tubo é usada para montar as grapas e os pinos passadores. Para remover os tensores recuperáveis da parede é preciso usar o martelo saca tensor, enquanto o martelo saca painel auxilia na desforma dos painéis de fôrma das paredes.

MONTAGEM DAS FÔRMAS METÁLICAS

Preparo do local da montagem

Antes do início da montagem do sis­tema de fôrma metálica é necessário pre­parar o local, para garantir uma montagem apropriada e posicionamento cor­reto da parede a ser moldada. O processo se inicia pela montagem da ferragem da parede, o nivelamento do terreno e a limpeza do local. Se uma base de concre­to já estiver pronta no local, são utiliza­dos sarrafos para marcar as dimensões da parede, travando-os no piso para for­mar uma base de apoio para os painéis de fôrma e mantê-los nivelados. O sarra­fo, além de nivelar, ajuda na vedação da parte inferior do painel de fôrma, evi­tando que a nata do concreto escape. Essa etapa se encerra com a limpeza e nivelamento do terreno.

Preparo do equipamento

Antes de iniciar a montagem, é preciso um rápido preparo das fôr­mas, com a aplicação de desmoldan­te nas suas faces de contato. Isto faci­lita a desforma dos painéis e evita danos ao acabamento do concreto.

Usando o tensor recuperável, pre­para-se a bainha plástica cortada na medida da espessura da parede. Em seguida, os tensores são inseridos, uti­lizando um pouco de graxa para facili­tar a remoção após o período inicial de cura do concreto. Finalmente, deve ser aplicado o desmoldante líquido.

Montagem passo a passo do sistema

Após o preparo, inicia-se a mon­tagem das fôrmas metálicas pelos cantos interiores, posicionando-se o primeiro painel e travando-o com a grapa na fôrma de ângulo interior. O procedimento deve ser repetido nos demais lados, dando seqüência ao processo de montagem.

Continuação do posicionamento das fôrmas e travamento dos demais painéis até que o conjunto fique na vertical, sem precisar de apoio.
Colocação dos tensores nos pon­tos de inserção da fôrma, travando-os com os pinos passadores.

Em seguida, são instalados os painéis opostos aos painéis inicialmente posi­cionados, fechando-se as fôrmas com o uso de um segundo pino passador para travar o tensor. A operação é repetida até completar o conjunto.

Terminada a montagem das fôr­mas, os alinhadores horizontais são posicionados em um dos lados da fôrma, podendo ser interno ou exter­no à parede.

Em seguida, as mordaças são usa­das para fixar os alinhadores na parte estrutural dos painéis de fôrma, sem­pre fixando-as nas juntas entre os pai­néis de fôrma.

Depois, são montados os alinha­dores verticais do outro lado, oposto ao dos alinha dores horizontais, se­guindo o processo anterior.

Para finalizar a montagem do con­junto, devem ser posicionados os apru­madores que darão o prumo ao conjunto.

Preparo/limpeza do local antes do lançamento do concreto/janela de inspeção
Esse sistema permite que alguns painéis de fôrma sejam removidos temporariamente para uma eventual limpeza antes do lançamento do con­creto, algum reparo de última hora ou, até mesmo, uma inspeção. Basta soltar algumas grapas e pinos passadores e o painel já está livre para ser removido.

Concretagem
O sistema está pronto para a concretagem.

Limpeza da parte de trás das fôrmas após concretagem
Após a concretagem, a parte de trás dos painéis de fôrma precisa ser lavada para evitar que o concreto en­dureça, dificultando a limpeza e ma­nutenção para o próximo uso.

Tempo de cura
Normalmente, dependendo da espessura da parede, é possível des­formar dentro de um período de 24 horas após a concretagem.

Desforma
A desforma dos painéis de fôrma metálica é feita de maneira simples e rápida, começando pela remoção dos aprumadores e alinhadores do conjunto, seguido das grapas e pinos passadores. Após a remoção de todos os itens, utilizando o martelo saca painéis, a extremidade do martelo é encaixada na flange do painel e, com um leve golpe do martelo saca pai­nel, o painel é removido da parede.

Acabamento do concreto
Um dos grandes feitos das fôrmas metálicas é o acabamento que propor­ciona ao concreto. Deixando uma única linha quase imperceptível es­tampada no concreto, exatamente no encontro dos painéis de fôrma, redu­zindo a necessidade de mão de obra de acabamento.

Limpeza/manutenção e aplicação de desmoldante
Depois da desforma, é importan­te limpar a face de contato do painel com um pano ou saco de estopa. Em alguns casos, os painéis ficam com concreto grudado nos flanges e em outras partes, sendo necessária uma limpeza mais pesada com uso de es­pátulas. Mas isso pode ser evitado com a lavagem dos painéis de fôrma logo após a concretagem. A aplica­ção do desmoldante é feita logo em seguida à limpeza.

Ciclo das fôrmas metálicas
Após a limpeza e a manutenção básica, as fôrmas metálicas estão pron­tas novamente para serem usadas.
Andaimes para fôrmas
Para montagens mais altas e lança­mentos de concreto em altura, o sistema de fôrma metálica disponibiliza um andaime de suporte para plataforma e guar­da-corpo.
A montagem do andai­me é simples, sendo posicionado nos flanges das juntas entre os painéis e trava­do com o pino passador, o mesmo pino que trava o tensor no painel de fôrma.

Situações especiais/diversas
As fôrmas podem ser aplicadas em diversas situações como pilares, vigas, paredes curvas, paredes com espessura variada, muros com contraforte e ou­tros.
Em alguns casos, insertes no meio da concretagem são necessários. A fôrma metálica permite a inserção dessa interferência, usando al­guns acessórios que possibilitam esse ajuste feito com madeira integrado à fôrma metálica.
 
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