O PROCESSO DE EXECUÇÃO DE PISO DE CONCRETO

17 de julho de 2014


Autor: Djalma Santos Rodrigues Novais
Concresev
Rod. Anhanguera, saida 16, Km 15 x Av. Mutinga, 4.590 05110-0 - Jaguara - São Paulo - SP concreserv@concreserv.com.br w.concreserv.com.br


1) O piso de concreto é definido a partir da sua utilização final nos seguintes itens: acabamento, resistências, espessura, tipo do concreto, tipo de estrutura, processo de concretagem e acabamento. As definições das características de um piso devem ser objeto de estudo e projeto específico.

2) O Cliente deve conhecer o solo, ou contratar estudo para saber sua capacidade, sem chute, para ser ou ter a fundação homogêneamente adequada às solicitações propostas ao piso.

3) A sub-base do piso deve ter: planicidade, nivelamento, espessura e compactação suficiente á carga aplicada ao piso.

4) As instalações de água, energia elétrica e esgoto, devem ser instaladas antes da sub-base.

5) Em solo passível de inundação ou afundamentos, após compactação da base e antes do encerramento do aplanamento, devera ser construído sistema de drenagem do solo e do piso em canais e capa preenchida com brita encapsulada com bidim.

6) Nos solos resistentes que não necessitam de drenagem, proceder agulhamento de brita e aplanamento com placa vibratória.

7) Para isolamento e redução de fricção no trabalho (dilatação, expansão e contração) do piso de concreto estender lona plástica em camada dupla.

8) Nos pisos aderidos sobre piso existente, construir ponte de aderência com fresamento mecânico do piso e aplicar adesivo acrílico com nata de cimento em processo vassourado, momentos antes da concretagem.

9) Para manter as placas alinhadas, armar sobre espaçadores treliçados, barras de transferências transversais ás futuras juntas de dilatação, no espaçamento adequado à carga do piso.

10) Para distribuição de carga, armar em camadas sobre espaçadores treliçados, telas eletro soldada adequadas á carga solicitada do piso.

11) Para distribuição de carga em opção às telas poderá, ser misturado ao concreto, na obra, FIBRAS DE AÇO para criar estrutura tridimensional em dosagem em kg/m3 adequada á carga solicitada do piso (10, 15, 20, 25, 30, 35, 40, 50 kg/m3...). E principalmente aumentar a resistência á impactos

12) A armação do perfil do piso de concreto pode ter as seguintes peças: espaçador de tela inferior, tela inferior, espaçador para barra de transferência, barra de transferência, espaçador de tela superior, tela superior, tela de reforço de borda.

13) As FIBRAS DE POLIPROPILENO são misturadas no concreto, na obra, para reduzir a exsudação e a permeabilidade pela redução das fissurações que normalmente ocorre na retração plástica inicial do concreto, entre outros benefícios tais como; aumentar a resistência á impactos.

14) A MICROSSILICA pozolânico, 1/100 do grão do cimento, melhora em muito as características do concreto; principalmente elimina a exudação e aumenta as resistências à: compressão, tração e modulo de deformação. Diminiu o tempo de pega. Sempre deve ser utilizado com superplastificante.
15) LATEX para reduzir a absorção d´água, reduzindo a permeabilidade de 6% para 1%, plastificante reduz o consumo d´água., elimina e exsudação, aumenta o tempo de pega.

16) ADITIVOS químicos ACELERADORES E PEGA e SUPERPLASTIFICANTE, acelerar a pega, reduzindo o tempo de acabamento e aumentar a resistência inicial .

17) Argamassa a base de agregados metálicos são utilizadas para reforçar as bordas da juntas de dilatação

18) O CONCRETO USINADO com controle de preparação, tem as seguintes especificações:
a. Resistência á compressão em 3, 7 e 28 dias (Mpa )
b. Resistência à tração na flexão (Mpa) em 3, 7, 28 d
c. Modulo de deformação (Gpa) em 28 dias
d. Resistência aos impactos em 28 dias (J)
e. Resistência a abrasão (cm3/cm2)em 8 e 28 dias
f. Coeficiente de expansão térmica linear
g. Tamanho dos agregados principais, (britas “0”, “1”, e “2”).
h. Absorção dágua (%)
i. Plasticidade prevista na descarga em SLUMP, isto é abatimento em cone-teste de 30 centímetros
j. Métodos de lançamentos: convencional (manual), bombeável com bombas de brita “1” ou de brita “0”.
k. Outras especificações.

19) O concreto usinado devera ter programação, controle e acompanhamento do momento exato da aplicação através de gerenciamento adequado da logística da obra, para que a usina carregue as betoneiras no momento e volume adequado à obra, ao processo de lançamento e as vias de transporte

20) A aplicação do concreto deve ter os recursos necessários a obra, tais como:
a. Equipamentos adequados: vibradores de imersão, régua vibratória, réguas de sarrafeamento, desempenadeira, baldes, pás, enxadas, colher de pedreiro, martelo, prego, cortador de tela, torques, alicate, rodos de aço, rodos de corte, float manual, float mecânico, nível laser, nível manual, nível de mangueira, mangueira p/ água, botas, óculos, cordas, linhas, trenas, giricas, carrinho de mão, fio p/ extensões de energia elétrica, iluminação. Maquinas acabadoras de pisos.
b. Pessoal em qualidade e quantidade necessária
c. Adensamento e vibração adequada ás ferragens, formas e planicidade da obra.

21) As formas do concreto deverão ter resistência e textura adequadas ás solicitações do processo de concretagem, e são de responsabilidade do construtor das formas.

22) Prever o tempo, seqüência, processo e qualidade da desforma do concreto.

23) Antes do lançamento do concreto, instalar juntas de EPS c/espessura adequada à expansão do concreto.

24) O lançamento do concreto devera ser no volume e velocidade compatível com os recursos da obra, tomando o cuidado para descarregar nos locais e nas espessuras próximas das especificadas.

25) A distribuição e o espalhamento do concreto devera acompanhar a planicidade e nivelamento previsto

26) O Sarrafeamento deverá ser monitorado por nível de plano a laser, de onde sairá os pontos de mestras de concretagem, ou por nível de mangueira dágua e mestras alinhadas.
27) O RODO DE CORTE será utilizado durante o sarrafeamento, flotação e acabamento do piso de concreto, para correção de planicidade. (o rodo de corte é uma ferramenta de alumínio com 2 a 4 mt de largura e cabo de 2 a 9 mt de comprimento)

28) Durante a pega do concreto, o piso será flotado (flutuado), por FLOAT MANUAL e ou por FLOAT MECÃNICO, para correção de planicidade e compressão do agregado graúdo do concreto, ficando na parte superior a nata e agregados miúdos para acabamento.
a. Float manual (prancha de aço, alumínio ou de madeira +/- 1,50 mt X, 20 a 30 cm, e cabo 2 a 9 mt).
b. Float mecânico (disco com diâmetro de +/- 1,2 mt, fixado em acabadora mecânica).

29) Após a flotagem manual, o piso de concreto pode receber materiais adicionais para revestimentos específicos que aumentam a resistência à abrasão e modificam a aparência arquitetônica, em processo de seco sobre úmido ou úmido sobre úmido, como:
a. Alta resistência á base de agregados minerais, cinza ou colorido, seco para aspersão sobre úmido.
b. Alta resistência á base de agregados metálicos, cinza ou colorido, seco para aspersão sobre úmido.
c. Argamassa de Alta-ultra-resistência á base de agregados metálicos, cinza ou colorido, úmido para aplicação sobre superfície úmida ou seca.
d. Agregado de alta resistência de colorações heterogêneas (granilite), com cimento para lapidação.

30) Durante a pega e endurecimento do concreto, o piso continuara sendo flotado e acabado com pás da maquina acabadora de piso até a textura necessária ou contratada:
a. Vassourado grosso.
b. Vassourado fino.
c. Textura tipo espuma grossa
d. Textura tipo espuma fina
e. Acabamento polido médio
f. Acabamento polido fino

31) As bordas do piso recebem acabamento manual na textura contratada; porque não são alcançadas pela acabadora mecânica.

32) Os rodapés poderão ser construídos ou instalados pelo cliente, fora do processo de execução do piso.

33) As paredes, até a altura de 150 centímetros, poderão ser pintadas após a execução da concretagem, por conta do cliente.

34) Após o acabamento e recebimento do piso, máximo de 1 hora, o piso devera receber a cura inicial:
a. Cura por manta de cura úmida (mais eficiente) irrigação da manta com água por no mínimo 7 dias; evita perda de resistência do concreto, evita trincas e rachaduras na cura.
b. Cura por película pulverizada (agentes de cura aplicado por pulverizador costal) evita perda de resistência do concreto, abafando o concreto e evitando evaporação acelerada da água.
c. Cura por selante antipó – (aplicado por pulverizador costal e vassouramento) (sela a porosidade, aumenta resistência a abrasão em +/-30%, reduz a permeabilidade, endurece).
d. Cura por aspersão de água com mangueira (descontrolado), pode perder resistência superficial.
e. Outros métodos de curas.

35) O Corte para juntas de dilatação devera ser feito; em mais ou menos de 20 horas após a concretagem; com maquina especifica com disco diamantado para corte de piso.
36) As juntas de dilação são cortes feitos para direcionar as retrações nos pisos de concreto, más não exclui possíveis fissuras que poderão aparecer com o tempo do piso. As juntas são cortadas de acordo com negociação entre o cliente e o executor, deixando claro que quanto menor for o espaçamento das juntas, maior é a possibilidade de haver custos com manutenção de juntas, e que quanto maior for o espaçamento de juntas maiores serão as possibilidades de empenamento e fissuração do piso.

37) As juntas de dilatação poderão ser preenchidas após a cura do concreto e ou lapidação; com os seguintes materiais:
a. Juntas de PVC
b. Juntas de LATÃO
c. Juntas de ALUMINIO
d. Juntas de EPOXI
e. Juntas de POLIUERETANO
f. Juntas EXPANSIVAS de outros materiais

38) Após acabamento e cura e ou preenchimentos de juntas, se previsto, o piso poderá ser LAPIDADO com maquina de pedra esmeris ou diamante em passadas de granas grossa, media, fina e super fina até o ponto contratado. A lapidação é um processo que micro planifica o piso, deixando com aspecto de granito, onde o piso recebe materiais para estucamento que preenchera a possíveis porosidades existentes e remoção de micro ondulações ou riscos de acabadoras mecânicas.

39) Após acabamento final, o piso poderá receber selante de porosidade e ANTIPOEIRA, gerado pela cal livre do concreto. Este tipo de material também aumenta a resistência a abrasão e proporciona um certo brilho ao longo do tempo (ou forçado com lustração mecânica), facilitando a limpeza

40) Após acabamento e cura e ou preenchimento de juntas, o piso poderá receber pinturas especiais, EPÓXI autonivelante, ou outros materiais. O piso selado não pode receber epóxi sem remoção mecânica do selante.

41) O piso de concreto pode ser lustrado com maquina industrial e ou cera específica, para ter brilho instantâneo ao acabamento.

42) Durante a concretagem e acabamento úmido, o processo não pode ser interrompido, sob perda de qualidade de textura e resistência. Ficando por conta do cliente providenciar a necessária proteção contra quaisquer motivos de interrupção das condições externas à execução dos trabalhos de acabamento do piso contratado.

43) Durante a concretagem e acabamento úmido, o concreto deve ser protegido de chuva ou contaminação por quaisquer materiais, sob perda de resistência e qualidade de acabamento. Ficando por conta e risco do cliente a proteção do local para a execução dos serviços de concretagem e acabamento do piso.

44) O Cliente-Obra devera disponibilizar os materiais e serviços acessórios não contratados para execução dos serviços contratados, tais como:
a. Cimento p/calda do inicio de bombeamento
b. Estrutura para linha de bombeamento
c. Água para equipamentos e cura
d. Energia elétrica
e. Iluminação adequada
f. Estacionamento de veículos da obra
g. Sinalização de transito
h. Local para pessoal da obra
i. Proteção e local para equipamentos
j. Local para limpeza de equipamentos
k. Local para resíduos de concretagem
l. Outros materiais e serviços acessórios não contratados

Este texto é um resumo das experiências adquiridas em sucessivas concretagens de pisos e lajes (mais de 3000 em quatro anos), e dos MANUAIS DE EXECUÇÃO DE PISOS DE CONCRETO de:

ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland
ABESC – Assoc. Brasileira de Empresas de Concretagens
• IBTS - Instituto Brasileiro de Telas Soldadas
• IBRACON – Instituto Brasileiro do Concreto
• CONGRESSOS, SEMINÁRIOS & CURSOS.
• MBT – Master Builders Technologies
• ACI - American Concrete Institute
• CONCRESERV Concreto & Serviços
• GERDAU
• BELGO MINEIRA
• NOVOCON
• CONCREPAV
• CONCRETEX
• CONCREMIX
• ENGEMIX









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