Concreto “vivo” reconstitui fissuras

22 de julho de 2013

O concreto é o material de construção mais usado no mundo, mas a ação da água e de produtos químicos tende, ao longo do tempo, a corroê-lo. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, na Holanda desenvolveram um tipo de concreto constituído por bactérias produtoras de calcite (carbonato de cálcio), conferindo propriedades de auto-reparação. Esta nova tecnologia poderá, em teoria, aumentar exponencialmente o tempo de vida das estruturas e reduzir substancialmente os custos de manutenção, sendo especialmente importante em estruturas de concreto armado enterradas ou de difícil acesso.

O material foi criado em 2009 pelo Microbiólogo Henk Jonkers e pelo engenheiro especialista em materiais de construção, Eric Schlangen e tem sido estudado e melhorado desde então. Ele é obtido através da adição de bactérias e nutrientes (lactato de cálcio) à argamassa. As bactérias são inofensivas à saúde humana e permanecem em estado latente durante a mistura e grande parte da vida útil da estrutura de concreto, sendo ativadas apenas em presença de água.
Dessa forma, ao surgirem fissuras na estrutura, as bactérias alcalifílicas incorporadas ficam expostas a um meio ácido, que desperta a produção de calcite. Este material vai encher as cavidades de dentro para fora, selando lentamente qualquer orifício ou fissura através dos quais os agentes ambientais agressivos pudessem penetrar e originar a degradação do aço das armaduras ou do próprio concreto.

O material ainda está em fase de testes na Universidade Técnica de Delft (Holanda), mas já foi capaz de sanar completamente rachaduras de 0,5mm de largura em laboratório, apenas com a ação da água – segundo Henk Jonkers. A expectativa é que o produto possa ser comercializado daqui a dois ou três anos, após testes externos e em diferentes tipos de concreto.

O principal desafio é garantir que o agente “curador” seja forte o suficiente para sobreviver ao processo de mistura do concreto. Para isso, é preciso aplicar uma cobertura às partículas – algo que encarece o processo. Quanto ao acréscimo no custo do produto, Jonkers argumenta que um aumento em 50% no custo do concreto representaria apenas 1% a 2% do total dos custos de construção, valor inferior ao desprendido em uma manutenção de concreto deteriorado.

 
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