Concreto como manter a qualidade no controle tecnológico?

11 de agosto de 2013


 O que construtores, concreteiras, projetistas e laboratórios podem fazer para manter a qualidade no controle tecnológico dos concretos?
 A conscientização do meio técnico sobre as prescrições normativas e a melhor comunicação entre os diversos intervenientes no processo construtivo são os primeiros (e acredito que mais importantes) passos para manter a qualidade desejada do concreto em suas diversas aplicações.

Mundialmente o controle tecnológico do concreto é estabelecido por normas técnicas. No Brasil, a ABNT NBR 12655 estabelece o procedimento para preparo, controle e recebimento do concreto e referencia normas específicas para a retirada de amostras do material e para os ensaios a serem realizados de forma a se comprovar sua qualidade.





A atual complexidade das construções modernas, função do avanço tecnológico e das inúmeras solicitações da sociedade dos nossos dias, impossibilita que todos os profissionais conheçam a fundo todas as áreas do conhecimento. Assim, é fato que projetistas estruturais sejam mais afeitos à norma de projeto de estruturas de concreto (ABNT NBR 6118), construtores tenham como base para seu trabalho a norma de execução de estruturas (ABNT NBR 14931), empresas de serviços de concretagem tenham como principal instrumento de trabalho a norma de especificação de concreto dosado em central (ABNT NBR 7212) e tecnologistas de concreto conheçam a fundo a ABNT NBR 12655 e suas referências normativas.

No entanto, todas essas Normas Brasileiras foram elaboradas focando as melhores práticas e as peculiaridades de cada elo da cadeia construtiva e inter-relacionando suas atribuições, deixando claros os aspectos a serem observados para se chegar ao melhor resultado em cada caso.

As normas de projeto e execução, por exemplo, estabelecem explicitamente a necessidade de atendimento à norma de preparação e controle do concreto, tendo-se na primeira (ABNT NBR 6118) a base para os parâmetros de qualidade que são mais profundamente avaliados na outra (ABNT NBR 12655).

Com base nesses documentos, constata-se que cabe aos projetistas decidirem sobre a classe de agressividade ambiental em que se insere a estrutura a ser projetada, de comum acordo com seus contratantes, ponto inicial para se tomar decisões sobre o concreto a ser usado na obra. A partir dessa decisão, cabe a esse profissional a escolha da resistência característica à compressão do concreto (fck) em função da classe de agressividade ambiental e do tipo de concreto (armado ou protendido) a ser usado. O projetista deve registrar o fck em todos os documentos do projeto estrutural e, a partir desse parâmetro, obter a resistência de projeto com que irá trabalhar (fcd = fck/c).

A ABNT NBR 6118 estabelece adicionalmente a relação água/cimento máxima para cada classe de resistência do concreto e classe de agressividade ambiental, tendo em vista cumprir com as exigências de durabilidade da estrutura. Muitos projetistas estruturais já registram essa informação, dada pela Norma, nos documentos emitidos, assim como a dimensão máxima característica do agregado graúdo, considerando o espaçamento mínimo das barras da armadura. Seria desejável que todos adotassem essa prática, que reforça o compromisso do profissional de projeto com as questões de qualidade e durabilidade da estrutura projetada e homogeneíza as informações entre partes, facilitando o trabalho de construtores e tecnologistas de concreto.

Às construtoras cabe tornar real o projeto elaborado pelo projetista, a partir das informações recebidas. Assim, é fundamental que os profissionais envolvidos em cada uma dessas tarefas mantenham uma estreita comunicação e que o máximo de detalhes seja fornecido aos construtores, para que tenham êxito nesse trabalho. A compra de materiais e a contratação de empresas para participarem do processo construtivo é também papel das construtoras, que devem ter em mente os preceitos da ABNT NBR 14931, que aborda algumas questões relacionadas ao projeto e outras do campo da tecnologia de materiais, referenciando sempre as normas usadas em cada caso e dando as diretrizes para que as etapas construtivas sejam executadas buscando tirar o máximo proveito do material concreto.

A Norma de execução de estruturas citada (ABNT NBR 14931) é contemporânea das normas brasileiras desenvolvidas focando a durabilidade e traz em seu bojo cuidados que visam o melhor desempenho da estrutura e sua execução respeitando as propriedades do concreto. A referência aos padrões estabelecidos para o recebimento do concreto está objetivamente definida nessa Norma e o atendimento aos procedimentos prescritos pela ABNT NBR 12655 é item obrigatório.  

Simples à primeira vista, de uso difundido e custo acessível pela disponibilidade de seus materiais constituintes, o concreto guarda grande complexidade no desenvolvimento de suas inúmeras propriedades, muito importantes para a construção civil, o que tem garantido seu lugar como material de construção mais usado em todo o planeta.

A partir do conhecimento dos materiais e do resultado de diversas misturas elaboradas e testadas previamente, o responsável pela dosagem do concreto deve preparar o traço (proporcionamento de materiais) e inferir sobre seu desempenho mecânico após 28 dias, atendendo a todas as disposições normativas das ABNT NBR 7212 e ABNT NBR 12655.

No entanto, pela diversidade de materiais que podem entrar em sua composição, as propriedades e a inter-relação entre esses materiais em função do proporcionamento escolhido, o concreto pode ter características e propriedades distintas. Considerando as inúmeras variáveis que entram nessa complexa equação, apenas ensaios de desempenho atestam de forma definitiva o desempenho do concreto.

Para o recebimento do concreto na obra, as diretrizes normativas que registram as boas práticas experimentadas e comprovadas ao longo dos anos, estabelecem dois ensaios:

  • Consistência, para assegurar a possibilidade de lançamento do concreto (preenchimento das formas)
  • Resistência à compressão axial aos 28 dias, para comprovar o atendimento às premissas de projeto relativas à segurança estrutural.




São esses os parâmetros que devem ser medidos e avaliados para liberação da estrutura. Para sua determinação os documentos normativos trazem uma série de prescrições, que visam a obtenção de resultados confiáveis, sendo imprescindível a realização dos ensaios por laboratório capacitado, dotado de equipamentos calibrados, pessoal treinado, controles das condições ambientais (temperatura e umidade relativa) e outras tantas exigências que garantam a rastreabilidade de todo o processo.



 
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