Lajes com esferas plásticas (3)

28 de agosto de 2013


Dinamarca desenvolve tecnologia que agiliza obra e permite fazer mais andares com o mesmo volume de concreto
Fonte: Cimento Itambé , textos: GrandesConstruções

A primeira obra no país a utilizar o sistema é o novo centro administrativo do Distrito Federal, a cargo da Construtora Odebrecht, que é quem está trazendo a inovação para a construção civil nacional. “O Brasil incorpora uma tecnologia que já está consolidada em mais de trinta países, com obras na América do Norte e do Sul, na Europa, na África, na Oceania e na Ásia”, diz o engenheiro civil Leonardo Bernardi, um dos gestores técnicos da tecnologia BubbleDeck® no Brasil.

O sistema construtivo incorpora esferas plásticas na laje, que, em comparação com estruturas maciças, reduz em até 35% o peso. Isso se deve ao menor consumo de concreto e de aço. “As esferas são introduzidas na intersecção das telas soldadas, ocupando a zona de concreto em áreas que não desempenham função estrutural. Esse recurso diminui significativamente o consumo de materiais, agilizando o processo e gerando menor impacto ambiental”, explica Leonardo Bernardi. O engenheiro assegura ainda que a tecnologia traz ganho de produtividade e apresenta um mix de tarefas semelhante a um sistema pré-moldado.


A BubbleDeck® pode ser aplicada em edificações de pequeno e grande porte. “Não existe uma limitação técnica ao uso. Apenas deve ser feito um estudo de viabilidade econômica”, afirma Bernardi, garantindo que, para cada área de 1.000 m², o sistema proporciona um ciclo de laje em 6 dias. “Esse ganho é devido à confecção de até 80% da armação da laje em fábrica, redução de até 60% do escoramento e eliminação da fôrma de assoalho. Consequentemente, a tecnologia exige menos mão de obra e um dimensionamento menor do canteiro de obra quando comparado com o sistema convencional. Se o cliente optar pela fabricação em seu próprio canteiro, deve-se atentar ao espaço de fabricação e à logística interna. Se for entrega just in time, precisa apenas verificar os acessos à chegada das lajes”, completa.

Um case importante ocorreu na Europa, no empreendimento Millenium Tower, construído na Holanda.

Foram obtidos os seguintes ganhos:

· Redução de 10 para 4 dias por andar;

· Redução de 500 viagens de caminhões-betoneiras;

· Redução relevante do equipamento utilizado na obra;

· Dois andares construídos a mais, quando comparado com o projeto original, que previa laje alveolar.

· O sistema também poupou espaço de armazenamento de materiais no local da obra, que se situava em vias arteriais e rodovias.

Ao aplicá-la em uma laje de 280 mm de espessura ela reduz o consumo em 0,09 m³ de concreto por m² de laje. O sistema também foi submetido à NBR ISO 14040 – Gestão Ambiental, Análise do ciclo de vida, Princípios e Estrutura, a qual possibilita calcular a emissão de CO2 com base na Análise do Ciclo de Vida (ACV²) de um produto, e constatou-se que essa economia em concreto permite que estruturas que usam a tecnologia deixem de emitir até 23,5 kg de CO2 por m² de laje.


Além disso, o uso das esferas reduz o número de vigas e de pilares, permitindo vãos maiores estrutura ideal para grandes construções, como estacionamentos. O sistema também proporciona isolamento acústico e térmico, adequando-o à norma de desempenho ABNT NBR 15.575. Outra característica é que, em caso de incêndio, as esferas carbonizam sem emitir gases tóxicos, pois são fabricadas de polipropileno.

 
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