Pesquisadores transformam resto de cana em concreto - com video

3 de agosto de 2013

Cinzas, areia e cimento.

Grupo de São Carlos cria método para misturar cinzas da cana-de-açúcar em material para construção civil. Fonte: Galileu

Boa parte do interior de São Paulo é coberto por plantações de cana e isso pode aumentar nos próximos anos por conta do investimento de empresas estrangeiras na produção de álcool. Em algumas plantações já há tecnologia para aproveitar o que sobra após a produção de combustível e açúcar. A queima do bagaço gera energia para as fábricas, mas deixa, como subproduto, cinzas. Esse "resto do resto", agora, também poderá ser reaproveitado. E, se depender de uma equipe de pesquisadores da UFSCar, vai virar concreto.



A base do concreto é areia, cimento, água e brita, em diferentes proporções. O que os cientistas fizeram foi substituir parte da areia por cinzas de bagaço de cana. O processo desenvolvido, de acordo com o grupo, vai ser útil para enfrentar a dificuldade de extração e o encarecimento da areia. "Areia usada em construções vem do leito de rios, é um processo nada sustentável, está cada vez mais difícil a obtenção de licenças ambientais para sua extração", diz o professor Almir Sales professor de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Sales, que pesquisa há 10 anos resíduos que pudessem substituir materiais como areia e brita na construção civil, já trabalhou com restos de demolições, serragem e até lodo que sobra do tratamento de água. E começou a investigar quais sobras eram mais abundantes na região. "Uma pequena parte das cinzas do bagaço é usada como adubo nas próprias plantações de cana, o resto acaba indo parar em aterros", diz. Segundo o estudo, o Brasil gera 10 mil toneladas de cinzas de bagaço de cana por dia.

O estudo da "areia de cana" começaram em 2007. O grupo descobriu que as propriedades dos dois materiais são semelhantes. "Temos que fazer apenas alguns acertos, como moagem para que a cinza tenha a mesma textura da areia e, às vezes, filtrar o bagaço não queimado pelas caldeiras das usinas", diz o professor.
Os pesquisadores testaram a mistura do concreto com 5 tipos de cimento. Concluíram que cerca de 30% a 50% da areia pode ser substituída por cinzas, de acordo com o tipo de construção. "A surpresa foi que a cinza elevou a resistência do concreto em mais de 15%". O próximo passo do grupo são os ensaios de durabilidade. "As peças não podem esfarelar, e a estrutura de aço no interior dela deve estar protegida contar corrosão", diz Sales.

A última fase da pesquisa deve durar 12 meses, quando testes de durabilidade que simulam o desgaste em 20 anos serão feitos. A ideia inicial dos pesquisadores que o concreto de cinza seja usado por prefeituras na infraestrutura urbana, na construção de guias, sarjetas e bancos, por exemplo.

A maior parte das cinzas da cana, hoje, é dispensada em aterros sanitários. E aquela pequena parte que é jogada no solo como fertilizante poderia até contaminá-lo, de acoro com o estudo, que encontrou metais pesados como cádmio e chumbo no material.

Também participaram da pesquisa, além de Almir Sales, Sofia de Araújo Lima, Fernando do Couto Rosa Almeida, Juliana Petermann Moretti, Tiago José dos Santos, Sérgio Gustavo Ferreira Cordeiro e Bruno Souza Cerralio

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