22 de agosto de 2013

Fissuras recuperação do piso de concreto

Técnicas e produtos para restaurar pavimentos variam de acordo com o tipo de patologia. Confira as dicas de especialistas


Danos estéticos, aumento dos custos de operação, acidentes, contaminações e desgastes de equipamentos rodantes como empilhadeiras, por exemplo, são algumas das consequências provocadas pelas patologias nos pisos industriais de concreto. Identificá- las e solucioná-las corretamente é tarefa fundamental para evitar prejuízos na produtividade de supermercados, grandes plantas industriais e em centros logísticos, locais onde a sua aplicação é recorrente.
De acordo com especialistas, as principais patologias dos pisos de concreto são a delaminação (também conhecida como desplacamento), desgaste superficial, manchas e fissuras de retração. Já os revestimentos - cuja função é proteger o concreto contra ataques químicos e mecânicos e ainda conferir maior facilidade de limpeza - poderão ser alvos de formação de bolhas, falhas e irregularidades no acabamento, destacamentos, trincas e fissuras (leia boxe).
"Os tipos de patologias que ocorrem em supermercados, áreas industriais e armazéns são da mesma natureza. O que difere é a consequência que têm para cada tipo de operação", explica o engenheiro Wagner Edson Gasparetto, presidente da Anapre (Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho).
Na maior parte dos casos, os custos de recuperação são altos e podem se equiparar ou até mesmo superar os gastos envolvidos com a execução dos pisos. Contar com um bom projeto é o primeiro passo para evitar a ocorrência de patologias e, consequentemente, a necessidade de desembolsar altas somas para saná-las. "O projeto irá definir a execução. Sem ele, essa etapa terá um caráter de improviso e, certamente, o resultado final será duvidoso", lembra Gasparetto. A partir das especificações técnicas, é possível definir um plano executivo orientado e ainda conferir previsibilidade ao sistema a ser executado.
Vale lembrar que, quando corretamente projetados, construídos - inclusive sob o ponto de vista da correta dosagem do concreto - e adequadamente conservados, os pisos de concreto podem durar décadas, podendo até mesmo chegar ao centenário. Mas, assim como todos os materiais, possuem vida útil limitada, ao final da qual apresentará sinais de fadiga, indicando a necessidade de serem repostos ou recuperados. "Esses sinais, geralmente fissuras e desgastes, não podem aparecer prematuramente. Para evitar que isso ocorra, além do projeto é importante que o usuário respeite as suas limitações", lembra Públio Penna Firme Rodrigues, da LPE Engenharia e Consultoria, empresa que realiza projetos e presta consultoria na área de pisos industriais de concreto.
Entre as condições que podem acelerar o aparecimento precoce das patologias estão a atuação de sobrecargas (móveis ou fixas), impactos ou excessiva vibração, uso de equipamentos de transporte com rodas de aço, operação imprópria de empilhadeiras e outros equipamentos. "Além disso, a impregnação do piso com graxas, óleos e outros líquidos, ocorrência de infiltração de água pelas juntas de dilatação, impactos de rodas nas regiões de juntas ou ainda lavagem incorreta do piso, com infiltração de soluções ácidas pelas juntas e incidência de temperaturas muito elevadas sobre eles também podem contribuir para danificar os pisos e prejudicar o seu desempenho e reduzir a sua vida útil", completa Ercio Thomaz, pesquisador do Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).
Concreto: patologias mais comuns e soluções indicadas
Resistência ao desgaste 
A deficiência de resistência ao desgaste por abrasão é caracterizada pelo desprendimento do material superficial do piso, grãos de areia e pó de cimento. Entre as causas mais comuns estão a baixa resistência do concreto em virtude de erros durante a sua especificação (concreto de baixo fck, inferior a 25 MPa, por exemplo), tratamento superficial incorreto, concreto com exsudação excessiva ou cura inadequada. Mau uso do piso e ataques químicos também podem gerar patologias semelhantes.

A solução do problema é, na maior parte das vezes, feita pela aplicação de um bom endurecedor químico, precedida de uma limpeza enérgica com escovas abrasivas. Em seguida, deve-se aplicar novamente o endurecedor, garantindo o fechamento da porosidade superficial. Casos mais severos podem ser tratados pelo processo de lapidação com ferramentas diamantadas (até grana 3000), que confere ao piso um aspecto similar aos pisos com agregados de alta resistência. Ainda para casos de abrasão intensa, a aplicação de revestimentos argamassados, como os epoxídicos ou uretânicos, podem ser uma alternativa, desde que o concreto possibilite a ancoragem adequada desses produtos.
Delaminação 
A delaminação do piso caracteriza-se pelo destacamento da camada superficial de acabamento, cuja espessura varia de 2 mm a 4 mm. Ocorre pelo selamento superficial prematuro: no momento em que a exsudação do concreto está acontecendo, a água fica "presa" sob a camada mais impermeável, promovendo o seu destacamento. As causas que podem levar à delaminação são diversas e muitas vezes controversas, sendo de natureza construtiva ou uso de concreto inadequado. No primeiro caso, a patologia pode surgir quando a operação de acabamento é feita prematuramente, sobretudo a fase final (desempenamento liso). No tocante ao concreto, teores elevados de ar incorporado ou de argamassa, uso de areia muito fina ou tempos de pega longos podem contribuir para a ocorrência do problema. As condições climáticas, como temperatura elevada, incidência prematura de sol e vento também podem promover a delaminação. O tipo de tratamento mais empregado é o reparo com argamassas poliméricas, principalmente as epoxídicas, que permitem espessuras de 3 mm a 6 mm. Também podem ser empregadas as argamassas cimentícias, modificadas com polímeros, mas, vale lembrar que nesse caso deve-se trabalhar com espessuras mais elevadas, acima de 8 mm. O reparo do piso consiste inicialmente no recorte da área danificada, formando uma figura geométrica regular, e na regularização da superfície de modo a garantir a espessura mínima para o material que será empregado no reparo. O próximo passo é a aplicação de um primer (especificado pelo fabricante do produto, caso haja necessidade) e, em seguida, da argamassa. No caso das argamassas epoxídicas, após a cura do produto, é possível fazer o lixamento.

Fissuras de retração 
Caracterizam-se por fissuras regulares, geralmente paralelas às juntas serradas e são causadas pelo atraso no corte, reforço inadequado ou restrição à movimentação da placa, como no caso de placas com espessura muito irregular por deficiência no preparo da base. O tipo de reparo irá depender da origem da patologia. As mais fáceis de reparar são as originadas pelo atraso no corte. Nesse caso, quando estiverem muito próximas às juntas (de 5 cm a 10 cm) basta selálas, da mesma forma que se faz nas juntas, empregando os mesmos materiais definidos no projeto do piso. Se estiverem mais afastadas, é necessário inicialmente estabilizá-las ou por colagem com material epoxídico ou poliuretano, por exemplo, ou pela costura com barras de aço, inseridas de forma inclinada na lateral da fissura e coladas com epóxi, de modo a unir as duas faces da fissura, que posteriormente deve ser selada com material epoxídico. Quando a causa da fissura é reforço insuficiente ou placa com movimentação restringida, a solução terá de ser mais complexa, normalmente executando-se juntas complementares, que nesse caso deverão ser tratadas para garantir a transferência de carga.

Manchas no concreto
As mais comuns são as oriundas dos processos de hidratação do cimento e carbonatação do concreto, responsáveis pela formação de manchas que se destacam da cor padrão do concreto aplicado no piso. Há três causas básicas para o seu aparecimento: a primeira, mais comum e mais grave, ocorre em decorrência da pega diferenciada do concreto, ocorrida por um atraso no processo de concretagem. Em alguns casos, essas manchas apresentam delaminação. O segundo tipo é causado pelo posicionamento dos agregados graúdos muito próximos da superfície. Nesse caso, a causa do problema pode ser falta de argamassa ou vibração insuficiente. Algumas vezes, a argamassa que recobre os agregados é tão fina que se desprende, necessitando de um pequeno reparo, similar ao da delaminação. Finalmente, o terceiro tipo é causado pela má aplicação das mantas de cura. Caso não fiquem perfeitamente em contato com a superfície do concreto, formam bolsões de ar, escurecendo o concreto nessas regiões e possibilitando a identificação de frisos e dobras do tecido malposicionado. Não há nada que possa ser feito para minimizar o problema, mas a boa notícia é que a cor da superfície do concreto tende a se uniformizar com o tempo e, após alguns meses, as manchas podem desaparecer.

Revestimentos: patologias mais comuns e soluções indicadas
Bolhas 
Normalmente, a formação de bolhas precede o fenômeno de descolamento dos revestimentos. Pequenas deformações na superfície começam a ocorrer e, aos poucos, vão se tornando mais numerosas ou maiores. Quando o piso nesse estado é submetido a tráfego mais intenso, aparecem as primeiras rupturas, expondo sua base ou suas camadas intermediárias. Entre as causas mais frequentes estão o acúmulo de líquidos ou gases oriundos da sub-base (variação do lençol freático, falha na drenagem ou infiltração das tubulações embutidas); da base (concreto em processo de secagem, presença de água de amassamento, falta de barreira de vapor e percolação da umidade ascendente oriunda da base, presença de agentes contaminantes, como óleos, produtos químicos variados) e do próprio revestimento, em decorrência de falhas durante a catálise dos materiais (erros de dosagem, falhas dos produtos e aplicações feitas sem respeitar os tempos mínimos entre as camadas). Para solucionar o problema, o revestimento danificado deve ser removido parcial ou totalmente. Dependendo da distribuição das patologias, a base deverá ser novamente preparada. O primeiro passo é remover as camadas danificadas do sistema original e, em seguida, aplicar revestimentos específicos para concretos recém-lançados (verdes) ou para áreas com umidade ascendente. Tais soluções possibilitam a liberação de vapor de água em níveis bastante elevados e reduzem o índice de patologias em aplicações de maior risco. Cuidados preliminares, como a execução de melhorias no sistema de drenagem de águas superficiais (por meio de drenos superficiais) e tratamentos especiais para eliminação de contaminações ocorridas na superfície (como lavagens localizadas) podem melhorar o índice de sucesso desses reparos.

Falhas e irregularidades no acabamento
Além do uso de materiais de baixa qualidade e de sistemas inadequados, um dos principais fatores que desencadeiam esses processos é o mau uso do piso. Rodízios demasiado duros (feitos de aço, celeron etc.), presença de abrasivos na área (cavacos e partes soltas, por exemplo), queda de produtos químicos a concentrações e temperaturas elevadas, entre outros fatores, são determinantes para a ocorrência dessas patologias.

Outro fator indesejado é a variação da textura final do revestimento, liso em certos pontos e antiderrapante em outros, ocasionando problemas quanto ao uso da área e variações estéticas indesejadas. Após análise da profundidade do desgaste e do nível do comprometimento do revestimento (em alguns casos o ataque desagrega todo o sistema), a parte danificada deve ser removida, a base preparada e o sistema reconstituído com produtos adequados. Áreas de maior solicitação mecânica devem ser tratadas com sistemas argamassados à base de epóxi ou poliuretano. Ataques químicos mais severos requerem sistemas à base de resinas éster vinílicas, metil-metacrilatos, epóxi ou poliuretanos modificados. Poliuretanos com cimentos e metilmetacrilatos apresentam melhor desempenho em áreas com maiores variações térmicas. Vale lembrar que a escolha do sistema de recuperação deve levar em conta a combinação dos ataques, detalhes do projeto estrutural e histórico de uso do piso. Nas áreas com variações de textura, a solução consiste no lixamento geral da área e na aplicação de uma nova camada com sistemas livres de solventes e melhor índice de cobertura.
Fonte: engenheiro Levon Hagop Hovaghimian, diretor da Reade, empresa de Revestimentos Especiais de Alto Desempenho
Destacamentos
Alguns tipos de destacamentos ou descolamentos ocorrem como consequência direta da presença de bolhas ou ainda pelo desprendimento do revestimento da base de concreto, fenômeno que ocorre em áreas de maior solicitação mecânica como corredores de tráfego e áreas de acesso de galpões. Entre as causas mais comuns estão as falhas na preparação da base, como descontaminação incompleta ou inadequação do índice de rugosidade para o sistema selecionado. Para solucionar o problema, é preciso mapear a área a ser recuperada por meio de testes localizados. Em seguida, todo o revestimento danificado deverá ser removido. O próximo passo é identificar a real causa da patologia (preparação falha ou incompatibilidade entre o substrato e o revestimento), refazendo a base e aplicando o novo sistema. Vale mencionar que, no caso de solicitações térmicas extremas, o mercado dispõe de sistemas à base de cimentos e resinas poliuretânicas que, aliados a projetos de pisos de concreto específicos, permitem desempenhos seguros em áreas submetidas a ciclos de gelo e degelo e variações térmicas entre -35ºC e +120ºC.

Trincas e fissuras
Patologias muito comuns são consequência direta do comportamento do substrato de concreto, seja pela movimentação natural por meio de juntas, seja pelo comportamento imprevisto da base por deficiências diversas (projeto, falhas construtivas, materiais de baixa qualidade, solicitações não previstas etc.). Para resolvê-las, é preciso marcar o local e recortar a faixa de revestimento danificado, sempre respeitando uma faixa adicional de 5 cm para cada lado. Caso tenha ocorrido esborcinamento da borda do concreto (área com alto teor de argamassa e, consequentemente, baixa resistência mecânica), esta deverá ser recortada na proporção mínima de 2,5 cm de largura (para cada lado da junta) e 2,5 cm de profundidade. A seguir, o local deverá ser preenchido com argamassa epóxi de alta resistência e o corte, refeito no mesmo alinhamento da junta. O vão central deverá ser preenchido com material selante elastomérico à base de poliuretano ou epóxi semirrígido (para tráfego médio adotar dureza shore A=50 e, para tráfego pesado com rodízios duros, shore A=80), permitindo a movimentação independente dos dois panos.

Endurecedor de superfície
O SikaFloor é um composto que serve para recuperar pisos de concreto em estado precário. O produto age como um endurecedor de superfície, melhorando a durabilidade e evitando que o concreto solte pó ao longo do tempo. Pode ser usado em indústrias, postos de gasolina, estacionamentos e shopping centers. (11) 3687-4600 www.sika.com.br

Recuperação estrutural
A argamassa Estrutural 250 da Vedacit/ Otto Baumgart é impermeável, de grande resistência e isenta de retração. Não escorre, podendo ser aplicada em superfícies horizontais e verticais. Pode ser aplicada em revestimentos e reparos de pouca espessura em estruturas de concreto e de alvenaria. (11) 2902-5555 e (71) 3432-8900www.vedacit.com.br

Material epoxídico
A Vedacit/Otto Baumgart oferece o Compound Injeção, produto que penetra nas fissuras, proporcionando uma perfeita colmatação e o monolitismo da estrutura de concreto em razão de sua baixa viscosidade. Pode ser aplicado para o preenchimento de fissuras estabilizadas em estruturas de concreto de edifícios, pontes, lajes, galerias, viadutos etc. (11) 2902-5555 e (71) 3432-8900 www.vedacit.com.br

Argamassas poliméricas
Na linha de argamassas poliméricas, a WeberQuatzolit disponibiliza no mercado o Weber.tec Impermeabilizante Camada Fina. O produto garante uma impermeabilização em camada fina que barra a umidade do solo e resiste à pressão e à contrapressão d'água. www.weberquartzolit.com.br
rgamassas cimentícias
Na linha de argamassas cimentícias, um dos produtos disponibilizados pela WeberQuartzolit para recuperar pisos de concreto é o Cimentcola Interno Quartzolit, também tradicionalmente usado para assentar cerâmicas em paredes e pisos de áreas internas. www.weberquartzolit.com.br

Revestimento argamassado epóxi
O revestimento argamassado epóxi Mastertop 1240, da Basf, é utilizado em aplicações de 3 mm a 8 mm. O produto não contém em sua composição solventes voláteis e é fornecido em embalagens adequadas para o transporte e armazenagem na obra. (11) 2718-5507 www.basf-cc.com.br

Adesivo para injeção
O Concresive 90 é um adesivo epóxi para injeção em trincas ou fissuras. Isento de solventes voláteis, o produto não perde volume durante a aplicação. Sua alta fluidez assegura o selamento das fissuras mais finas. O produto, fabricado pela Basf, é fornecido em embalagens adequadas para o transporte e armazenagem na obra. (11) 2718-5507 www.basf-cc.com.br

Revestimento anticorrosivo
O Novolac AR 170 é um revestimento em resina Novolac da Basf resistente ao ácido sulfúrico 98%. É ideal para áreas sujeitas a ataques químicos, como áreas de produção em fábricas ou salas de manutenção de baterias, ou mesmo para a proteção da estrutura de tanques de contenção secundária de agentes perigosos. (11) 2718-5507 www.basf-cc.com.br

Revestimento uretânico de alto desempenho
Desenvolvido pela Basf, o Ucrete é o revestimento uretânico de alto desempenho indicado para solicitações de resistência térmica extrema, de até 150oC. É ideal para reparos em espessuras de 4 mm a 12 mm, em câmaras frias e áreas sujeitas a ataques químicos, como áreas de processamento de alimentos e manipulação de solventes. O produto conta com três opções básicas de acabamento: liso, antiderrapante e estética. (11) 2718-5507www.basf-cc.com.br

Selante de poliuretano
O Masterflex NP1, da Basf, é um selante de poliuretano de dureza Shore A=25, ideal para juntas com movimentação de até 25%. Já o Sonolastic Ultra possui dureza shore A=50 e pode ser utilizado onde há tráfego de empilhadeiras. (11) 2718-5507 www.basf-cc.com.br