O Slump caiu....e agora?

28 de dezembro de 2015

Às vezes nos deparamos durante uma concretagem uma perda de Slump, este problema pode ter como origem diversas causas.

Se existiram perdas de água que ocasionaram uma perda de Slump por que os agregados estavam muito secos (ou até mesmo os agregados serem porosos), sem umidade interna ou se existiram perdas de água no processo de mistura, de transporte (por carros de mão, galeotas, correias transportadoras, etc.) e nas formas, a adição de água, nestes dois casos, não será prejudicial à resistência do concreto. Não irá ocorrer variação na resistência devido ao fato que o fator água cimento a/c não foi alterado, houve simplesmente uma reposição de água que foi perdida/faltante.

Estas perdas de água dos processos de mistura/transporte/formas podem e devem ser minimizadas com a adoção de traços de lubrificação (no mínimo de dois traços), como já foi explanado no manual de dosagem do concreto que foi publicado.

Quanto às perdas de água por falta de umidade interna, esta pode ser controlada utilizando, no estoque de agregados, uma aspersão de água. O tempo de mistura do concreto quando o agregado está sem umidade interna deve ser maior do que o padrão para que estes agregados absorvam a água internamente nos seus poros.

Existe outro motivo importante, por perda de Slump, como o caso de ineficiência do aditivo redutor de água ou porque o mesmo encontra-se fora do prazo de validade de utilização, recomenda-se trocar o tipo aditivo para o primeiro caso e no segundo caso utilizar outro lote de aditivo. Também existe o caso de uma conservação inapropriada, guardando os tambores/bambonas no sol ou sendo contaminados por elementos estranhos, basta verificar e corrigir se isto está ocorrendo.

Uma alta temperatura do ambiente, aliada ou não, a uma alta temperatura do próprio balão do caminhão betoneira, pode também ocasionar uma perda significativa de Slump. Pode parecer estranho para alguns mas a cor do balão influencia na temperatura interna,,,,Pode-se controlar esta temperatura aspergindo água nestes dois casos.

Outro fator que é a falsa pega do cimento. Os fabricantes de cimento têm de colocar gesso nos moinhos de clinquer, o gesso é uma fonte de sulfatos, o que faz reagir muito rapidamente com o aluminato tri cálcio (C3A). O C3A sem esta fonte de sulfato reagiria muito rapidamente e não permitiria a utilização deste cimento em um concreto. Estas quantidades se não forem controladas, podem ocasionar uma falsa pega, que seria um enrijecimento prematuro do concreto, mas isto pode ser verificado em uma análise bem rápida. Carregue um misturador (concreto ou argamassa) e faça a mistura em um ciclo de tempo típico, mas não superior a três minutos, depois desligue o misturador e no interior desta mistura insira um pedaço de madeira e ficar verificando até 11 minutos se ocorre uma falsa pega. Depois ligue de novo o misturador e após 30 segundos veja se a trabalhabilidade voltou para a consistência original, se isto ocorre está existindo uma falsa pega.

Para corrigir este problema, se estiver ocorrendo, pode-se consultar o fabricante do cimento para saber se está existindo uma alteração química na composição do cimento, que na maioria dos casos o fabricante irá dizer que nada foi alterado.

Deve-se também neste caso verificar a qualidade da água de amassamento, para ver se está dentro dos padrões de norma. Caso continue a existir este problema deve-se fazer a substituição do tipo de cimento utilizado.

E, finalmente podemos ter uma perda de Slump devido a mistura utilizada, estes agregados que compõe a mistura podem ter alterado o módulo de finura-MF, diminuindo este MF o concreto irá exigir maior quantidade de água porque houve um aumento da área especifica. Para este caso deve-se fazer uma nova proporção de mistura, realizando um novo traço.

Eng Ruy Serafim de Teixeira Guerra
 
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