Pavimento as juntas com epóxi semirrígido

17 de setembro de 2013


As primeiras notícias que se tem sobre a utilização de epóxi semirrígido para tratamento de juntas no Brasil remontam ao final dos anos 80 e início dos anos 90. Entretanto, sua história começou muito antes.

No início dos anos 60, os selantes flexíveis à base de poliuretanos começaram a ser utilizados no tratamento de juntas de pisos de concreto em substituição aos materiais do tipo asfalto, ripas de madeira e outros. Porém, a utilização cada vez mais frequente de veículos de movimentação de cargas dotados de rodas rígidas mostrou que os selantes flexíveis eram inadequados para proteger as bordas das juntas.


Os poliuretanos foram projetados para expandir e retrair e, para isso, tinham que ser flexíveis. Quando as rodas rígidas das empilhadeiras ou transpaleteiras cruzavam as juntas do piso, o poliuretano defletia sob a carga, permitindo que os cantos das juntas se quebrassem iniciando o seu esborcinamento. Nessa época surgiu, nos EUA, o conceito de que o material para tratamento de juntas de piso industrial não poderia, ao mesmo tempo, ser flexível e suportar o tráfego das rodas rígidas. Testes de campo indicaram que a dureza mínima necessária para suportar carga dos novos veículos de movimentação era de Shore A80. Outras características foram incorporadas ao material, tais como baixa adesão e resistência à tração para evitar a ruptura das bordas das juntas. Começou, assim, a formulação e aplicação dos epóxis semirrígidos para tratamento das juntas de piso industrial.





O conceito

O epóxi semirrígido não é um selante, mas sim um filler com propriedades específicas que estão destacadas na figura 1 abaixo.

A sua função primária é proteger as bordas da junta da deterioração ou esborcinamentos causados pelo impacto das rodas rígidas dos veículos de movimentação. A proteção é conseguida pela restauração da continuidade do piso e pelo suporte das paredes e do topo das juntas.

Propriedades

Dureza: A resina semirrígida deve ser suficientemente dura e resiliente para dar suporte e transmitir as cargas para as bordas das juntas. A capacidade do material em suportar carga é determinada pela dureza Shore. O ACI (American Concrete Institute) recomenda como dureza Shore mínima o valor A80.

Adesão: É importante que o epóxi semirrígido apresente baixas amplitudes nas tensões de ruptura e de adesão (250-400psi). Pode-se, assim, evitar que as seções do concreto sejam soldadas e que ocorram trincas por tensão no concreto.

Expansão: a maioria dos epóxis semirrígidos acomodará de 5-10% de abertura da junta antes de começar a separar adesivamente ou coesivamente, o que é comum acontecer durante o processo natural de retração do concreto.

Quando e como instalar

Experiências de campo corroboradas pelo ACI (American Concrete Institute) e pelo PCA (Portland Cement Association) recomendam que o tratamento das juntas de piso deva ser realizado de 60 a 90 dias após sua construção, ou aguardar o maior tempo possível. Isso é para permitir que as juntas de construção e as serradas trabalhem e abram para o mais próximo do final do processo de retração do concreto.

Quanto à instalação do semirrígido, há que se considerar a natureza da junta: construção e de controle (costumeiramente identificada por junta serrada).

Nas juntas de controle, o preenchimento deve ser na profundidade total do corte, em geral 1/3 da espessura do piso. A figura 2 exemplifica essa aplicação.

As juntas de construção devem ser preenchidas com, no mínimo 50 mm (2”) na profundidade da junta. Neste caso, como limitador de profundidade pode-se utilizar um corpo de apoio ou areia. A figura 3 abaixo mostra a aplicação em junta de construção.

Além das recomendações de profundidade de aplicação, outros cuidados devem ser tomados durante o tratamento das juntas, tais como limpeza, retificação (se necessário) e ausência de umidade.

Notícia Técnica

O conteúdo deste artigo reflete a opinião do autor

http://www.anapre.org.br/informativo/ANAPRE_em_Noticias_32.pdf

 
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