Cuidados para instalação de pisos intertravados de concreto

6 de dezembro de 2013

Reportagem: Isis Nóbile Diniz

Foto: Marcelo Scandaroli
Muitas calçadas, pátios, estacionamentos e áreas externas de condomínios são revestidos com bloquinhos de concreto, os bloquetes. Também são conhecidos como pavers (pronuncia-se "pêivers") ou pavimentos drenantes, porque são assentados diretamente sobre o solo ou areia e podem, assim, deixar infiltrar a água de chuva em vez de jogá-la para os bueiros, galerias e córregos. Isso ajuda muito a evitar alagamentos, porque o solo pode absorver boa parte da água. Esse pavimento também é bom porque podemos retirar os blocos, consertar tubulações enterradas e depois recolocar as peças sem quebra-quebra.
Os pavimentos de concreto intertravado são compostos de peças pré- -moldadas que não utilizam rejunte e são assentadas diretamente sobre um colchão de areia. Esse sistema facilita a drenagem da água e, portanto, aparece como uma boa opção para a redução de impactos das chuvas, colaborando para a diminuição de superfícies impermeabilizadas e diminuindo o escoamento superficial. Além do cinza, a cor natural do concreto, você pode encontrar bloquetes nas cores terracota, vermelho, cinza-escuro, camurça e amarelo.
Os bloquinhos são vendidos pelas empresas por metro quadrado e estocados sobre paletes de madeira ou cintados. São oferecidos em diversos formatos, cores e modulações, com espessuras que vão de 6 cm a 10 cm, de acordo com a aplicação. As características das peças de concreto intertravado variam de acordo com o tipo de tráfego que o pavimento comportará.
Para tráfego de pedestres, ciclovias ou ruas internas de condomínios, por exemplo, podem ser utilizados blocos com 40 mm e 35 MPa de resistência. Já para uso em vias com tráfego mais intenso e de veículos maiores, são recomendados os blocos de 50 MPa. A resistência do material também muda conforme o tipo de tráfego sobre o pavimento. Todos esses pisos devem atender a uma resistência mínima de compressão de 35 MPa para a circulação de veículos leves e de 50 MPa para veículos pesados.
Os pavers são produzidos para atingir alta resistência à compressão (35 MPa a 50 MPa), igual ou maior que das estruturas dos edifícios. Quando o arquiteto ou engenheiro projeta o piso, ele determina qual o tamanho mais adequado para utilizar, qual a espessura das camadas de sub-base e subleito, justamente para suportar as cargas, não afundar e não quebrar.
Obrigatoriamente, devem-se executar contenções laterais para evitar o deslizamento dos blocos. Ao limpar o piso, deve-se tomar cuidado se for usar máquina de hidrojateamento. O jato muito forte nas juntas entre os blocos pode retirar a areia que serve de rejunte e soltar peças. A realização de reparos e manutenção em pisos intertravados é facilitada, pois as peças podem ser retiradas e recolocadas sem a necessidade de quebras e geração de resíduos sólidos.
NORMAS TÉCNICAS
NBR 15.115:2004 - Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil - Execução de Camadas de Pavimentação - Procedimentos
NBR 12.752:1992 - Execução de Reforço do Subleito de uma Via - Procedimento
NBR 11.798:2012 - Materiais para Base de Solo-Cimento - Requisitos
NBR 11.803:2013 - Materiais para Base ou Sub-Base de Brita Graduada Tratada com Cimento - Requisitos
NBR 11.806:1991 - Materiais para Sub- Base ou Base de Brita Graduada - Especificação
NBR 11.804:1991 - Materiais para Sub- Base ou Base de Pavimentos Estabilizados Granulometricamente - Especificação
NBR 15.953: 2011 - Pavimento Intertravado com Peças de Concreto - Execução
NBR 9.781: 2013 - Peças de Concreto para Pavimentação - Especificação e Métodos de Ensaio
NBR 12.307: 1991 - Regularização do Subleito - Procedimento

CHECKLIST
Busque fornecedores certificados e que atendam às normas técnicas
Caso a empresa não tenha certificação, realize ensaios para testar as características do material
Negocie com o fabricante a entrega em paletes plastificados, pois isso agiliza a descarga e evita choques mecânicos
Se necessário, armazene as peças em local plano, seco e próximo ao local de uso
É recomendável conciliar o ritmo de recebimento do material com a velocidade de assentamento, evitando deixar as peças paletizadas por muito tempo
Antes do assentamento, verifique se as peças já atingiram no mínimo 80% da resistência especificada, pois embora a idade de referência para controle da resistência seja de 28 dias, as peças normalmente são entregues quatro ou cinco dias após sua produção
Na hora da execução, fique atento às recomendações do projeto e às orientações da NBR 15.953

BOAS PRÁTICAS DE EXECUÇÃO
Foto: Marcelo Scandaroli
Nivelamento da base
Com o solo previamente regularizado e compactado, faça o nivelamento inicial com bica corrida em toda área a ser pavimentada. Com uma enxada, espalhe bem para que nenhuma área fique desnivelada.

Foto: Marcelo Scandaroli

Referência e caimento
Em seguida, faça as medições e tire os pontos de referência conforme os caimentos necessários. O próprio bloco pode servir de ponto. Faça isso em toda a área que será pavimentada.


Foto: Marcelo Scandaroli
Espalhamento do pedrisco
A base para receber as peças deve ser preparada com pedrisco limpo. Primeiro, espalhe todo o pedrisco com uma enxada. Cuidado para não cobrir ou danificar os pontos de referência. De acordo com os pontos posicionados inicialmente, faça o sarrafeamento do pedrisco com uma régua (foto).


Foto: Marcelo Scandaroli
Colocação das peças
Depois que a base estiver totalmente nivelada, comece a organizar as peças no chão. Inicie pelo bloqueio, que pode ser uma guia, um muro ou algo onde o bloco possa ser contido. Nesta etapa, utilize uma linha de pedreiro para manter o nivelamento. Siga com o encaixe dos blocos. Neste caso, o encaixe foi feito no modo espinha de peixe, que é mais indicado para o tráfego de automóveis.

Foto: Marcelo Scandaroli

Arremates
Quando a execução chegar no outro canto, será preciso fazer os arremates. Para isso, marque, com um lápis, o tamanho necessário do bloco.


Foto: Marcelo Scandaroli

Guilhotina

Com uma guilhotina de pressão, corte o piso com cuidado para dar o encaixe.
Foto: Marcelo Scandaroli



Encaixe

Com o cabo da marreta, encaixe o bloco cortado. Realize os demais arremates até ficar dessa forma (foto).
Foto: Marcelo Scandaroli

Rejuntamento
Depois de finalizar os arremates, faça o rejuntamento com areia média lavada. Não é usado cimento, apenas areia. Jogue-a sobre o pavimento e depois, com uma vassoura, espalhe-a por toda a área a fim de preencher os espaços entre os blocos.


Foto: Marcelo Scandaroli

Compactação
Por fim, utilize um rolo compactador para fazer o travamento do piso. Passe-o por todo o pavimento em movimentos de vai e vem. Depois de travá-lo, a execução está finalizada e já pode receber tráfego de veículos.



DESENHO E TIPOS DE PAGINAÇÃO
Os blocos possuem vários tamanhos, formatos e maneiras de assentamento. Você pode fazer o pavimento de diversas formas (paginação): junta corrida, em dama ou junta amarrada. Se no local passarem automóveis, caminhões ou carretas, assente os blocos em espinha de peixe a 90o ou 45o em relação ao sentido do tráfego
Um dos mais tradicionais blocos de concreto é o retangular, que é chamado de tijolinho. Para executar 1 m², utilizam- se 50 peças desse tipo. Já com o bloco de 16 faces, são necessárias apenas 40 peças, o que gera economia. Este pavimento é versátil e pode ser executado, geralmente, em três layouts diferentes: amarração, dama e espinha de peixe. É importante seguir o projeto de pavimentação, que irá definir as espessuras das camadas de base e a espessura das peças de concreto. A instalação também deve ser orientada pela NBR 15.953. 
Os principais cuidados estipulados pela norma são a verificação da base, que deve estar compactada, e sua espessura; a execução da camada de assentamento em relação ao material utilizado e sua espessura; o correto alinhamento inicial na partida do assentamento das peças; e a prévia execução das contenções, tanto externas como internas, que garantirão o intertravamento das peças.

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