Resistência de dosagem novo rumo.

5 de setembro de 2015

Vamos analisar como é feito atualmente a resistência para se dosar um concreto, é majorado o Fck com mais 1.65 vezes o desvio padrão, e este não pode ser utilizado menor do que 2.

Na realidade, o valor 1,65, chamado de variável reduzida da distribuição normal, prevê a possibilidade de ocorrência de valores de ruptura de corpos-de-prova abaixo da resistência fck até 5% do total. Ou seja, no cálculo do dimensionamento das estruturas, a norma supõe uma eventual ocorrência de valores de ruptura abaixo da resistência fck dentro da curva de distribuição normal, sem prejuízo ou risco à própria estrutura.

Vejamos como é feito este cálculo:

A resistência média prevista para a dosagem não é diretamente o Fck e sim o Fcj. Para determinação do fcj adota-se a equação recomendada na ABNT NBR 12655:2006:

Fcj = Fck + 1,65 x Sd com: Sd = kn . Sn


Em que:
Fcj = resistência média do concreto à compressão a j dias de idade, em Mpa;
Fck = resistência característica do concreto à compressão, em Mpa;
Sd = desvio-padrão da dosagem, em Mpa;
kn = coeficiente que depende do número n de resultados disponíveis;
Sn = desvio padrão obtido de uma amostra com n resultados disponíveis;
n = número de ensaios disponíveis.

Conforme determina a NBR 12655, em nenhum caso o valor deste desvio adotado para o cálculo da resistência de dosagem, poderá ser menor que dois Mpa.

Portanto, o valor mínimo da parcela a ser acrescida à resistência Fck será de 3,3 Mpa (1,65 x 2).

Se não for conhecido o desvio padrão Sn, para efeito da dosagem inicial, o modo como pretende conduzir a dosagem, de acordo com o qual será fixado o desvio padrão sd pelo critério a seguir nas seguintes condições:

Agora vejamos de onde veio este 1,65Sd, pela última linha da tabela dos coeficientes de distribuição de Student, a sua tabela é:



Vejamos   o coeficiente para  a última linha:

95%-------1.645
97.5%-----1.960
99%-------2.326
99.5%-----2.576
99.95%----3.291

E se quisermos um concreto de Fck com 30Mpa qual seria sua resistência de dosagem para um controle rigoroso que tem um desvio padrão de 4Mpa?

95%-------Fcj=  30+1.645*4= 36.6Mpa
97.5%-----Fcj=  30+1.960*4= 37.8Mpa
99%-------Fcj=  30+2.326*4= 39.3Mpa
99.5%-----Fcj=  30+2.576*4= 40.3Mpa
99.95%----Fcj=  30+3.291*4= 43.2Mpa

Logo se quisermos dosar um concreto que tenha  Fck com  um só resultado fora em cada 100 teríamos de dosa-lo com 39.3Mpa em vez de 36.6Mpa normatizados. Ou seja um aumento de 2.7Mpa o que é 7.4% maior.

CONCLUSÃO:

Fica uma pergunta minha:


Não será melhor se dosar um concreto com erro de 1% em vez de 5% normatizadas????? ou pelo menos nos informar para poder escolher???


Um em cem ou 5 em cem?

O custo de hoje para este aumento é bem pequeno, os aditivos a metodologia evoluiu muito nestes últimos anos.

É bom pensar antes de dosar....


Meu pai dizia que somos o comandante do navio, quer levar para onde este navio? para um mar turbulento ou um mar com calmaria?


Leia também:
http://www.clubedoconcreto.com.br/2014/06/amostragem-do-concreto.html


Eng Ruy Serafim de Teixeira Guerra.







1 comentários:

Pedro Ortolan disse...

Boa explanação sobre o assunto, e gostaria de ressaltar a importância do fcj para a dosagem do concreto, todavia se pensarmos num resguardo quase que total sobre os resultados de resistência, mesmo com as tecnologias oferecidas, certamente gastaríamos mais para a produção de um concreto de melhor desempenho, não que está solução em determinadas condições produtivas não seja necessária, mas é fundamental tanto para o meio produtivo do concreto quanto para o controle tecnológico, entender que a boa execução do trabalho e procedimentos é crucial para a garantia de qualidade, e que poderão traduzir num desvio padrão menor na produção, desta forma com o cálculo do verdadeiro desvio padrão poderemos redimensionar os traços com consumos de cimento menor, assim na produção do concreto a determinação da umidade da areia para manutenção da argamassa e relação a/c do traço é básico, bem como o acompanhamento da homogeneidade dos materiais constituintes do concreto e também as boas práticas de moldagem e cura de corpos de prova, portanto podemos chegar a verificar por exemplo que um concreto dosado para um desvio padrão de 4MPa, possa ser recalculado para 2 MPa se assim os resultados comprovarem, não havendo necessidade de superestimar.

Atenciosamente,

Pedro Ortolan





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