Queda de Marquises (3) Metodologia de Inspeção

3 de junho de 2016

Quero tratar da metodologia para o inspeção de marquises, o trabalho abaixo fez parte do IV Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas no ano de 2010. Quase sempre se perde algo que fica inserido em estudos, este é um caso que não deve ser esquecido. As patologias existem com maior intensidade nos casos de marquises, seja por defeitos construtivos, erros de calculo e o maior de todos: falta de manutenção.

Metodologia de Inspeção 

1. Introdução 

 Nas inspeções das estruturas de concreto, muitas são as técnicas envolvidas na detecção, identificação, avaliação, caracterização e monitoramento das patologias. Estas técnicas são de grande importância para o controle do fenômeno, sejam nas operações preventivas, sejam na terapia do problema. 

 Considerando este último aspecto, as técnicas de inspeção assumem papel de suma relevância, uma vez que permitem que seja exercida a idéia do “diagnóstico precoce”, que assegura às operações de recuperação, prognósticos satisfatórios em nível de durabilidade. 

 As bibliografias especializadas ] indicam que a sistemática recomendada para uma avaliação estrutural deve ser realizada por etapas de forma que nenhum problema ou manifestação patológica passe despercebido. O fluxograma da Fig. 01 a seguir mostra a rotina de uma inspeção na estrutura de concreto. 



Figura 01 - Atividades envolvidas na rotina de inspeção (Fonte: Castro, 1994). 

 De acordo com Castro (1994) [1] a inspeção visual consiste em uma importante etapa para a determinação dos agentes patológicos que atuam na estrutura degradando-a, e ainda, em muitos casos, quando as manifestações patológicas já estão perfeitamente definidas, não há a necessidade de se fazer inspeções mais aprofundadas visto que o diagnóstico já está concluído. 

2. Inspeção Preliminar 

 Esta inspeção deve permitir a definição da natureza e causa do problema, incluindo: 

• Inspeção visual da estrutura da marquise, realizando um levantamento fotográfico com o fim de registrar os sintomas e a natureza dos problemas encontrados nas marquises. 
• Anotação de todos os sintomas visuais (como auxilio de um check-list). 
• Identificação da agressividade do ambiente (fraca, moderada, forte ou muito forte) [3]. 
• Análise visual das armaduras já expostas, fotografando as zonas de desagregação do concreto e tomando nota da espessura do cobrimento nominal, da redução do diâmetro da armadura, da quantidade de cor dos óxidos e dos aspectos gerais do concreto. 

3. Inspeção Detalhada 

 A inspeção detalhada desta pesquisa buscou fundamentar-se nos estudos do engenheiro João Cassim Jordy (2006) [4] que foi estruturado a partir do êxito das inspeções realizadas em marquises da Cidade do Rio de Janeiro e que fundamentou uma proposta de metodologia de inspeção tipicamente focada na vistoria de marquises. Sendo assim, na execução das visitas às marquises adotaram-se alguns pontos principais descritos nessa metodologia que foram considerados essenciais para a definição do estado de conservação das marquises aqui estudadas. 

Estes pontos estão citados a seguir. 
• Localização e Descrição 
• Levantamento Geométrico 
• Estado Geral de Impermeabilização 
• Situação do Sistema de Drenagem 
• Comprometimento e Disposição das Armaduras 

4. Análise dos Dados 

 Esta análise foi feita de forma pormenorizada, para evitar que as anomalias mais graves não fossem detectadas por estarem ocultas por anomalias superficiais, assim foi verificado se não houve mais de um fator gerador do sintoma patológico que estava sendo analisado. 

5. Diagnósticos 

 Esta etapa foi realizada após a conclusão das etapas de levantamento e análise dos dados. Após essa fase, iniciaram-se os estudos das possíveis alternativas que poderiam solucionar os problemas apresentados, onde foram considerados aspectos técnicos e de viabilidade econômica.

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Bibliografia:
[1] E. K. Castro, Desenvolvimento de metodologia para manutenção de estruturas de concreto armado, Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília, 185p, dezembro, 1994. 

[2] J.C.T.S. Clímaco, A.A., Nepomuceno, Parâmetros para uma metodologia de manutenção de estruturas de concreto, 36a Reunião Anual do IBRACON – Instituto Brasileiro do Concreto, Vol. 1, pp 109-119, Porto Alegre, Setembro (1994). 

[3] ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118/2003: Projeto de Estruturas de Concreto. Rio de Janeiro, 2003. 

[4] JORDY, J.C. & MENDES, L.C. Análise e procedimentos construtivos de estruturas de marquises com propostas de recuperação estrutural. Dissertação (Doutorado) Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro. 2006. 

[5] HELENE, Paulo R. L. Manual para reparo, reforço e proteção de estruturas de concreto. 2ª Edição. São Paulo: Pini, 1992. 

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