Dosando modernamente um CONCRETO de 50 Mpa (2)

10 de fevereiro de 2018

 Parte 1- http://www.clubedoconcreto.com.br/2018/01/dosando-modernamente-um-concreto-de-50.html

Antes de iniciar a segunda parte vou esclarecer mais sobre a questão da escolha do fcj.

Temos hoje uma grande confusão para sabermos se o concreto que recebemos ou produzimos está atendendo ao pré-requisito de resistência, tudo devido a imposição de um controle estatístico feito pela norma. 

Veja o seguinte: o consumidor nada tem a haver com controles estatísticos, ninguém compra alguma coisa solicitando o controle estatístico do produto!!! imagine comprar alguma coisa e solicitar o seu controle estatístico!! estes controles para a resistência devem ser feitos somente internamente  pelas usinas de concreto e pelos laboratórios de controle de aferição de resultados. 

Seria muito simples verificar se o concreto atende ou não a resistência especificada pelo projeto da seguinte forma:

-Se este valor for superior ou igual ao fck o concreto estaria CONFORME, uau...!!! acabaria as confusões no recebimento do concreto!! 


Aos dosadores e produtores estes sim, teriam de utilizar o fcj com os coeficientes de STUDENT adequados ao seu uso, ou seja ao tamanho da amostra para uma determinada certeza, nada de imposições. O critério de se utilizar amostras com 20/30/....seria a critério do fabricante deste concreto. Resta ainda ao dosador utilizar o coeficiente de certeza a ser escolhido, se ele quer arriscar a ter concretos 5% não conformes e fazer os consertos de futuras patologias, que continuem a utilizar ao pé da risca a norma!!!.....que tal utilizar 99% de certeza no seu lote???


Depois falo mais sobre isso....

 Passo 4: PROPORCIONAMENTO

Deve-se primeiramente fazer a análise granulométrica de cada agregado e com esta informação se realizar um enquadramento em um curva padrão que faça o empacotamento dos grãos reduzindo ao máximo os seus vazios. 



Tem-se utilizado a curva de Fuller para isso, outras curvas apareceram mas nestas épocas não se tinha a vibração e aditivos e adições que temos hoje.Alguns dosadores de concreto atualmente utilizam Andreassem modificado, todas as  curvas utilizam a dimensão máxima característica (DMC) dos agregados que foram escolhidos. Então se procura uma menor dispersão da curva da mistura escolhendo criteriosamente cada percentual para cada agregado.Dispersão é um numero que se encontra utilizando formulações matemáticas que o método DPCON adota, os outros métodos existentes de dosagem não tem esta informação!!



É bom se entender o que é DMC e DMT:


A dimensão máxima caraterística (DMC) de um agregado esta associada à distribuição granulométrica do agregado, correspondente à abertura nominal, em milímetros, da malha da peneira da série normal ou intermediária, na qual o agregado apresenta uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa. 


Dimensão máxima teórica (DMT) é a medida exata na qual o agregado apresenta uma porcentagem retida acumulada EXATAMENTE igual a 5% em massa ou de outro valor a que se venha adotar em função do produto fabricado (semi secos se utiliza em torno de 20%)


A conta para se achar o DMT é meia complexa tendo em vista que a curva padrão é logaritimica. O DPCON faz automaticamente esse cálculo após a escolha dos agregados que se deseja utilizar. 

Mas qual tipo de agregado devemos utilizar? e quantos tipos de agregados?

Claro que as areias devem ser de boa qualidade, e claro que as britas devem ser cúbicas...

Se for utilizado uma areia e uma brita, deve-se ter consciência que a dispersão em relação a curva padrão será maior e isso certamente ocasionará maiores desvios padrões nos resultados de resistência do concreto. Pode-se diminuir esta dispersão utilizando somente uma areia e uma brita de DMC menor, que tal fazer com a B12 e terá surpresas...

Para se obter uma dispersão menor é evidente que deve-se misturar pelo menos 3 bons agregados.

O método para se encontrar cada percentual dos agregados é que fica a cargo do dosador do concreto. O DPCON faz tudo automaticamente se apertando um botão, o comando Solver do excel encontra a resposta em segundos...

Fazer por tentativa é cansativo e não se encontra os valores matematicamente corretos e mesmo se utilizar o método da ABCP não convém.....veja AQUI o porque.

Resta verificar o teor de finos (não deixe de ver o teor de pulverulentos) depois de se obter a mistura. Eu pessoalmente adoto a peneira 0.15 que é a mesma adotada na bibliografia das bombas Shuwing. Compare este teor de finos se está acima ou abaixo da curva padrão. É de suma importância se quiser fazer um bom concreto!! Lembre que um bom concreto, seja ele bombeado ou de outro tipo, nada mais é do que um concreto bem dosado e nada mais além disso. Vou publicar mais a respeito dos finos no concreto. 

Se o teor de finos está muito diferente do padronizado troque ou adicione agregados!!!  não adote misturas com altas dispersões porque certamente irá obter concretos ruins e irá ter um bom NOCRETO


 Passo 5: TEOR DE ÁGUA INICIAL

É preciso ter um teor de água inicial para se calcular o traço inicial para depois se verificar o teor de água inicial na  trabalhabilidade a ser utilizada.

Um vai e vem: teor inicial de água>>>traço inicial>>>verificação da trabalhabilidade>>>teor de água final

Este teor de água inicial se obtém por tabelas ou por formulações que foram parametrizadas com diversos estudos. 

W=235*St^0.10 / ((DMT)^0.18) 

W= água em lts/m3. 
St= abatimento em mm para o concreto. 
DMT=dimensão máxima teórica em mm previamente calculado. 

O método DPCON utiliza uma fórmula própria. Como se trata de um vai e vem pode-se estimar este teor de água inicial por tabelinhas conforme estas logo abaixo:




Sendo utilizado aditivos ou mesmo adições devemos fazer um ajuste deste teor de água inicial adotado em função  do tipo e da quantidade do aditivo escolhido e da adição.

Digamos que nesse caso de dosagem que estamos realizando utilizaremos para um slump de 10mm e com uma areia, a brita B12 e a brita B19 (de preferencia com as britas sempre da mesma pedreira) teríamos pela tabela um teor de água inicial de 205 litros. Digamos que utilizaremos o aditivo com base de Policarboxilato e que este aditivo faça um corte de 20% do teor de água, teremos:

Teor inicial de água: 205 x 0.80 = 164 litros de água

Esta mistura tem um teor de ar aprisionado que temos de utilizar na confecção dos traços.

Veja que a  tabela azul acima fornece o valor do ar aprisionado, para o DMC de 19mm temos 2% de ar aprisionado. Para facilitar o trabalho o método DPCON parametrizou com uma fórmula própria o cálculo deste teor de ar.


 Passo 6: TRAÇO INICIAL

Com os dois parâmetros já encontrados e refazendo a fórmula abaixo teremos para o traço inicial: 

a/c = 0.42
teor de água 164 lts/m3

O consumo de cimento será:  164 / 0.42 = 390 kg/m3 >>>390 / 3.15 = 124 lts/m3

A%=a/c / (1+m) *100 então A%(1+m)=a/c*10


Calculemos o volume absoluto de agregados contidos em um m3 de concreto:

Vol agreg = 1000-124-164-20= 692 litros por m3

Digamos que os agregados tenham uma densidade parecidas e seja de 2,60 t/m3

2.60 x 692 = 1800 kg de agregados por m3

Com os valores dos % do proporcionamento se obtêm a parcela para cada agregado

digamos areia 44%  B12 28%  B19 28% 

O traço inicial será:

Cimento 390 kg/m3
Areia 1800 x 44% = 792 kg/m3
B12  1800 x 28% = 504 kg/m3
B19 1800 x 28% = 504 Kg/m3
Água 164 - 0.8% x 390 =161 kg/m3
Aditivo 0.8% x 390 = 3.12 kg/m3

Verificando o teor de agua materiais secos:

A% = 164 / (390+1800) = 7.5 %

Verificando o teor de argamassa:

%arg = (390+792)/(1800+390) = 1182/2190=54%


Fazer o concreto e verificar a trabalhabilidade (slump, visual...) corrigir se necessário.
Existe três formas de se corrigir, lembre-se que utilizando maior teor de água o consumo de cimento irá aumentar.

-Aumentando o teor de  água
-Aumentando o teor de aditivo
-Ou ambos acima


 Passo 7: TRAÇO FINAL

Mãos a obra e depois de se ajustar o teor de água se volta se moldam cp's para diversas idades.

Depois com vários a/c ( utilizo 6 a/c para ser bem exato) se moldam mais outros cp's para se obter a curva de correlação de a/c versus resistência (Abrams)....

O método DPCON tem este passo a passo na sua sequencia de dosagem e encontra matematicamente as formulações destas curvas para diversas idades escolhidas. Abaixo uma imagem das curvas deste cimento da Votorantim para as idades de 1/3/7 e 28 dias:




Com a fórmula se acha o a/c final e com ela temos o traço final.

Missão cumprida, ufa!! levei horas escrevendo essa publicação, mas o DPCON realiza os cálculos de uma maneira muito simples e rápida, não existe procura de valores em tabelas, todas as fórmulas foram parametrizadas!! Assim temos um CONCRETO e por aqui nada de NOCRETO !!!

Qualquer dúvida é só comentar e que tal adquirir o DPCON para estudar e realizar as suas dosagem de CONCRETOS plásticos e semi secos ??  Adquira AQUI

Eng Ruy Serafim de Teixeira Guerra






3 comentários:

Isael Vilela disse...

Que coisa legal, quanto mais a gente estuda entendemos que não sabemos nada.

Clube do Concreto disse...

Olha Isael eu também as vezes passo por isso que você comentou....mas eu quando percebo que nada entendo vou dissecar tudo que não entendi até chegar a compreender. Essa forma de dosar é realmente muito simples depois de compreender cada passo. Fazem concretos diferentes e dão nome aos bois...mas tudo sempre foi ver grão a grão o que falta e como se ajusta....e sempre o vilão da história foram os finos...ai é a minha maior enfase com o DPCON que assimilou o que dizem os grandes dosadores de concreto JAY e KENDAY...

Clube do Concreto disse...

SS; MSF; finos faltantes; DMT rsrsrsrs.... e a tempo qualquer dúvida em qualquer passo é só perguntar ...a sua dúvida pode ser a de muitos outros !!

Ruy ST Guerra

Postar um comentário

Os comentários são muito bem vindos e importantes, mas assine com seu Nome, onde trabalha e de qual estado/cidade você é.

 
Clube do Concreto | by TNB ©2010